Os (cada vez mais)
precários cadernos de cultura
A
convivência com escritores, de alguns anos para cá, serviu para
fundamentar informações que envolvem alguns aspectos ligados à
imprensa escrita. Reclamam, os escritores em geral, e só por eles
posso falar, que cada vez mais se deteriora a cobertura por parte da
imprensa a eventos na área literária. O silêncio, a falta de eco
nos ditos cadernos específicos, de notas e informações sobre o
cenário cultural (eventos, lançamentos, exposições), pode estar
ligado a vários fatores. Em alguns casos, de pessoas que mantêm
presença nas redes sociais, através de blogs, nos quais expõem
opiniões e posturas, a falta de eco tem lá razões de ordem
política, ou ideológica. A cor dos olhos é um argumento pequeno
para motivar posicionamento de natureza social.
(Imagem:jws.com.br)
Se
o enunciador não se exime de fazer comentários não alinhados com
as expectativas de determinado grupo, pode tornar-se alvo de críticas
negativas oriundas desse grupo. Como vivemos uma época de adesões e
rejeições que sempre possuem desdobramentos partidários ou
políticos, aí o caldo engrossa de vez. Qualquer indício de apoio
ou simpatia por ideias ou crenças será lido de forma inflamada pelo
grupo que se alinha no lado oposto. Na realidade brasileira
contemporânea, os cadernos culturais são remanescentes de um
jornalismo de rosto socialista, refratário às críticas
direcionadas aos descaminhos recentes da política de esquerda nos
últimos treze anos de governo petista. O que se observa é um
jornalismo de raso lastro intelectual, de espessura medíocre, que
não suporta análises matizadas de maior envergadura e consistência
hermenêutica. Nas configurações mais comuns e espalhadas, são
redutos adestrados pela narrativa de que houve golpe com o
impeachment da presidente afastada. No caso da literatura, área já
solapada pelos ditos estudos culturais dos anos recentes, alijada da
cobertura jornalística, o estrago pela não divulgação de eventos
é maior. Quem fica prejudicada é a sociedade, atulhada de fofocas e
pitis de famosos, desprovida de um canal eficiente e imparcial de
informação e serviço.

Prezado Edgard, excelente texto o seu, de acurado senso no que diz respeito ao descaso que a literatura, a boa literatura, vem sofrendo por parte da mídia. Faltam, em geral, cobertura e análises mais cuidadosas das produções que vêm se fazendo.
ResponderExcluirO comentário de um escritor, como é o caso de Evaldo Balbino, premiado em vários concursos, só ratifica o que desejei expressar.
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