Diante da mortes de escritores, ocorridas nesse tempo para ser esquecido, alguns vitimados pela covid-19, fico quieto, no meu canto, atento aos protocolos por demais conhecidos. Sem muito esforço, lembro alguns que se foram, John Le Carré, Carlos Ruiz Zafón, George Steiner, Libério Neves, Rubem Fonseca, Eduardo Lourenço, Olga Savary, Fernando Py, Sérgio Santana, Tânia Diniz, Ronaldo Simões Coelho. A lista pode ser maior, basta pesquisar. Fico cabreiro. E considero a possibilidade de imitar o editor e escritor Joel da Silveira, em 1980, diante da morte de Vinícius de Morais, Octávio de Faria e Nelson Rodrigues, naquele ano. Quem conta é Josué Montello, no seu Diário da noite iluminada. Em resposta ao amigo que lhe perguntava como se sentia, Joel da Silveira teria comentado que a morte estava ceifando a sua geração e que ia mudar seu penteado, para a morte não reconhecê-lo. Penso em fazer o mesmo.
(Imagem: Nelson Rodrigues) (Imagem: Vinícius de Morais)
