Enquanto inúmeras cidades vão sendo destruídas e milhares de civis e militares continuam sendo mortos nos campos de batalha, na Ucrânia, alguns líderes mundiais vão projetando delírios de megalomania, supondo que podem resolver os conflitos entre copos de cerveja. A posição ambígua do Brasil diante da guerra começa a incomodar a diplomacia internacional. A pseudo neutralidade esconde um aspecto ideológico condenável, o de desdenhar o princípio constitucional do respeito à autodeterminação dos povos. A Rússia invadiu a Ucrânia, transgredindo acordos mínimos de convivência civilizatória. Convém conferir o editorial de hoje, publicado no jornal O Estado de São Paulo. Ali se refere uma posição célebre, enunciada por Rui Barbosa: "Entre os que destroem a lei e os que a observam, não há neutralidade possível." A posição ambígua do Brasil diante do conflito parece ignorar esta cláusula pétrea da Constituição. Querer simplesmente a paz pode ser uma posição ingênua, se isto significa pactuar com Putin, que também deseja a paz, a seu modo. O Ocidente conhece o custo da paz para Putin: a aniquilação militar da Ucrânia e a cessão de um quarto de seu território à Rússia. É bom não esquecer uma declaração de Lula, em 2019, ao canal russo RT: "Uma coisa que me deixa orgulhoso é o papel desempenhado por Putin na história mundial, o que significa que o mundo não pode ser tomado como refém pela política dos Estados Unidos".
Seria desejável que o país reconhecesse sua tradicional postura pacifista, calcada na responsabilidade e no respeito pelas leis internacionais. Ainda, que se preocupasse em intensificar seu protagonismo na questão ambiental. O presidente Lula precisa, primeiro, pacificar o país, para depois dar palpite na política internacional.