Nascido em Maceió, em 1867, foi professor, advogado, funcionário publico, poeta. Aos dezenove anos, abandonou a terra natal, embarcando, às escondidas, num navio em direção à Corte. Raimundo de Menezes registra: "Levava nos bolsos alguns sonetos, duas moedas de tostão, e um lenço... A propósito, compôs famoso soneto que o celebrizou". Fez amizade com Olavo Bilac, Luís Murat, José do Patrocínio, Coelho Neto, frequentando a vida boêmia. Participou de rebelião, indispôs-se contra Floriano Peixoto, exilou-se, para evitar a prisão, em Buenos Aires, por dezoito meses.Teve um irmão fuzilado, em seu lugar. Regressou ao Rio de Janeiro, contaminando-se pela tuberculose. Com as despesas pagas por amigos, embarcou para a Ilha de Madeira, em busca de melhora. Morreu em Paris, em 1909, sendo enterrado no Père Lachaise, próximo à sepultura de Raimundo Correia. Sua obra inclui livros de versos, Versos de um simples (1886), Horas mortas (1902) e tratados de poética, Dicionário de rimas (1904) e Tratado de versificação, em parceria com Bilac (1905).
(Imagem: História de Alagoas)MENEZES, Raimundo de. Dicionário literário brasileiro. Rio de Janeiro: Livros técnicos e científicos. 1978.
TEU LENÇO
Esse teu lenço que eu possuo e aperto
De encontro ao peito quando durmo, creio
Que hei de um dia mandar-t'o, pois roubei-o,
E foi meu crime, em breve, descoberto.
Luto, contudo, a procurar quem certo
Possa nisto servir-me de correio;
Tu nem calculas qual o meu receio,
Se, em caminho, te fosse o lenço aberto...
Porém, ó minha vivida quimera!
Fita as bandas que habito, fita e espera,
Que, emfim, verás em trêmulos adejos,
Em cada ponta um beija-flor pegando,
Ir o teu lenço pelo espaço voando
Pando, enfunado, côncavo de beijos.
