“A estreia de Elcio Xavier, (O véu da manhã), propicia ao público brasileiro apreciar o lirismo de um forte temperamento poético da nova geração. Livro de sugestiva unidade, retrata em suas páginas uma visão particular da Poesia, realizada por pesquisador discreto e pessoal, e marcado por uma larga inquietação artística e humana.” Assim se expressou, em coluna de lançamentos, o suplemento “Letras e Artes”, do jornal carioca A Manhã, em 13/05/1951.
Tenho em mãos, adquirido na Estante Virtual, um exemplar do livro anunciado, com capa de Santa Rosa, autografado pelo autor, com data de “abril de 1951”. O livro abre com o poema que dá título ao volume, uma exaltação à manhã do mundo, representada pela alegoria do azul:
Penetra, azul, no infinito deste céu macio,
aproxima-te da terra bafejada pelos ventos
ou vela a pedra que o frio embalsamou.
Desce ao abismo alegre das águas
e descansa sobre as transparentes algas da fantasia.
Elcio Xavier pratica uma poética fortemente matizada de tendências oriundas da corrente simbolista, com imagens etéreas, o gosto das associações vagas e dos elementos da natureza tocados por uma aura enigmática. Seu estro mostra-se límpido em sua inteireza e musicalidade, envolto por hastes luminosas, erguidas em manancial de fontes e de lume perene:
O anjo de luz que me guia,
louco senhor das melodias,
quando os pássaros não mais voavam,
deu-me por nome Eternidade.
(“Nasci das sílabas”)
O poeta define-se como um ser marcado pela fatalidade, misto de verbo e destemor, guardião de tesouros indeléveis, um humilde aprendiz de ritos e sortilégios benfazejos:
Ilumina com círios azulados
a estrada por onde Ele caminhará
e convoca todos os sons doces da vida
para saudá-Lo no dia da luz.
(“Grande Infância”)
XAVIER, Elcio. O Véu da Manhã. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1951.
