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terça-feira, 19 de julho de 2022

Augusto de Lima

 

       O que esse autor, para muitos apenas um nome de rua, tem a ver com Belo Horizonte?

       Antônio Augusto de Lima nasceu em Nova Lima, na época denominada Congonhas do Sabará, em 1860; faleceu em 1934, no Rio de Janeiro. Advogado, político, magistrado e jornalista, exerceu inúmeras funções burocráticas, governou provisoriamente Minas Gerais e se destacou na campanha pela mudança da capital do estado de Ouro Preto para Belo Horizonte. Por esse motivo, mais tarde, após a morte do poeta, o prefeito Otacílio N. de Lima determinou que fosse batizada com o seu nome uma das avenidas da capital mineira. Honraria de nítido perfil político, sem dúvida. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras, chegando a presidi-la (1928).

       No caso de Belo Horizonte, além dele, outros nomes ilustres foram também agraciados em grandes avenidas e ruas: Silviano Brandão, Afonso Pena, João Pinheiro, Olegário Maciel e Bernardo Guimarães. Augusto de Lima pode ser considerado titular, caso se escale uma seleção de poetas parnasianos, imitando uma seleção de futebol. A convocação, a seguir apresentada, tenta agregar os grandes valores desta tendência: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Vicente de Carvalho, Luís Murat, Teófilo Dias, Augusto de Lima, Gonçalves Crespo, Machado de Assis, Luís Guimarães Júnior. Péricles Eugênio da Silva Ramos talvez discordasse desta lista, teria outras preferências no time titular, deixando Augusto de Lima na reserva, junto com os últimos três nomes citados, aos quais ainda acrescentaria Guimarães Passos, Bernardino Lopes, Emílio de Menezes, Fontoura Xavier, Adelino Fontoura. Não se dispensa a possibilidade de escalação de uma mulher, Francisca Júlia, autora de Mármores, elogiada por Bilac, como craque. Como outros intelectuais formados nas últimas décadas do século XIX, Augusto de Lima escreveu poemas de acordo com os princípios estéticos de sua época; publicou obras importantes, Contemporâneas (1887), Poesias (1909). Alguns de seus poemas resistem à passagem do tempo, os sonetos “Noite de estio”, “Voz das coisas”, “Cético”, “Dois desertos”, “Oráculos”, “Supremo bem”, “Requiescat”, “A Serenata”, “Epílogo”, além de um longo poema dedicado a São Francisco de Assis. “O verso de Augusto de Lima, diz Lívio de Castro, é moldável como a cera, flexível como o aço; adapta-se a todos os preceitos da mais rigorosa métrica, traduz as mais ligeiras graduações de pensamentos, e sempre, qualquer que seja o momento, descreve ele com a calma de um espectador apenas curioso ou com a emoção de um interessado, sempre dominando os sons variados daquela instrumentação, nota-se o ritmo rigoroso, matemático, como só o têm os músicos”(estudo crítico em Poesias). O soneto “Epílogo”, a seguir transcrito, revela-se bastante representativo de seu talento poético:


Ideal tão sonhado, sonho puro,

inacessível à miséria humana,

tênue vapor da aspiração insana,

tanto me foges, quanto te procuro!


Sonho o bem imortal, mas o futuro,

frio estuário, ao lado do Nirvana,

leva os seres efêmeros que irmana

no mesmo nada eternamente obscuro.


Impetuoso coração, que esperas?

Basta! Que esperas, através dos escolhos,

de dilúvios, vulcões, terremotos?


Sangrei meus lábios de beijar quimeras;

cegos de ver miragens tenho – os olhos,

e de abraçar o vácuo – os braços rotos!