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segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Roberto Alvim e as canções

 

       Há dois anos, repercutia na imprensa o comentário feito pelo então Secretário Nacional de Cultura, Roberto Alvim, de gestão efêmera, associando o analfabetismo a nomes consagrados do cancioneiro popular, cujos textos abarrotaram os livros didáticos nas últimas duas décadas. Tratava-se de flecha atirada, no flanco de patrulha, à malta alvoroçada, diante de intocáveis sabiás canoros, que sempre os há. O argumento desdobra-se ao se constatar a restrita bagagem cultural da última geração. Num país que assistiu à plêiade de grandes escritores, surgidos nas décadas de 40 a 70, contentar-se com a moldura das canções, como critério de riqueza cultural, alguma coisa não vai bem. Atribuir aos renomados cantorinhos o vergonhoso desempenho brasileiro nos exames do PISA, também, é inadequado. Há uma forte tradição, em nossa literatura, de canções, que vem de Cecília Meireles, passa por Vinícius, Augusto Meyer, Quintana e outros. Os admiradores de Olavo de Carvalho, ultraconservadores, que gerenciam (!) a cultura no país, ultimamente, são idiotas como o guru, cujo desaparecimento é recente. Só têm uma qualidade: a pátria chamou, ei-los a postos. Substituíram a censura castradora da esquerda pela censura castradora de direita, com nítidos pontos de contato com o nazismo. Não temos mais grandes cronistas. No corredor assinalado, nas duas margens, cabem também cartunistas, colunistas de variedades, arremedos de filósofos, autores de telenovelas e cronistas descolados. Estamos no mato, cheio de cigarras, sem cachorro, ou melhor, aliás, pior, sem corujas. Há quem aviste um corvo agourento. Sapo cururu, na beira do rio...