Total de visualizações de página

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Suplemento Literário de Minas Gerais


Voltou a circular o SLMG

De visual novo, concepção gráfica limpa e arrojada, está de novo na praça o Suplemento literário de Minas Gerais. Ou melhor, o SUPLEMGNTO LITERÁRIO DE MINAS GERAIS. Assim mesmo. Ao inscrever no logotipo a marca oficial do Estado de Minas (MG), o atual editor sinaliza a intenção de retomar a sua vertente criativa, nos moldes como foi concebido por Murilo Rubião em fins dos anos sessenta do século passado. Sem ignorar que se trata de um patrimônio cultural do Estado. Inteligente forma de estreia, a escolhida por Jaime Prado Gouvêa, na medida em que delimita duplamente os motivos (e as fronteiras) de sua intervenção: inovação, sim, mas aquela possível, em vista da chancela oficial.

Jaime Prado Gouvêa, além de excelente ficcionista, entre os vinte melhores do Brasil, como registrei em matéria aqui (http://wwwideiasubalterna.blogspot.com/2009/08/o-conto-brasileiro-contemporaneo-iv.html), é uma das pratas da Casa Suplemento, a ela conduzido, quase garoto nos anos 70, pela escolha criteriosa e exigente do fundador. O autor de Fichas de vitrola foi duas vezes injustiçado: no Jabuti de 2008, ficou entre os três indicados na categoria conto; em 2001, no concurso da Revista Literária 6 da UFMG, obteve o segundo lugar. Merecia o primeiro lugar, nos dois certames. No último evento, esse lugar foi meu, com “Imenso, cego, brutal”, reproduzido integralmente alhures. Os prêmios têm lá seus mistérios. Sempre que reencontro o Jaime, ele é que relembra o fato em tom de brincadeira. Tudo vem ao caso para outro registro, este para referir que, mais do que merecida, sua nomeação para dirigir o Suplemento Literário confirma outra tradição mineira: delegar a gestão cultural a alguém da área, no caso, um grande escritor, como se deu no passado, com Murilo Rubião, Affonso Ávila, Rui Mourão, Wander Pirolli.

O número especial tem como tema a recepção da literatura brasileira na Espanha, um produtivo esforço de aproximação das duas culturas, mostra do caráter receptivo da atual editoria aos diálogos transnacionais. Relevantes pesquisadores, autores e tradutores (focalizando a obra de Machado, Guimarães Rosa, Murilo Mendes, Clarice e Manoel de Barros) são convocados para partilhar sua experiência como divulgadores de nossa cultura no chão ibérico. Entre eles, brasileiros, uruguaios e espanhóis, como Alessandra Carvalho, Elena Losada, Pablo del Barco, Ángel Crespo, Emir Rodríguez Monegal e Julián Ríos. Parte do brilho e colorido gráfico deve-se a Sara Ramos, artista plástica mineira e madrileña.

Nenhum comentário:

Postar um comentário