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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Curiosidades sobre prêmios literários



Em debate a segunda premiação em concurso literário. Considerado por alguns como meio prêmio, ou prêmio de consolação, o segundo lugar faz jus a quantia financeira inferior à do primeiro lugar, quando é o caso. Na cultura portuguesa, a tradição confere ao segundo lugar uma importante e ilustre linhagem. Duas das maiores expressões literárias lusas (um na prosa, outro na poesia) tiveram obras estigmatizadas por terem tido a segunda premiação em concursos literários: Eça de Queirós e Fernando Pessoa.

Eça de Queirós teve a segunda premiação com o romance A relíquia, (1884), em que o fantástico se mistura ao satírico. Sobre o autor, escreveram-se inúmeros livros, é autor que exerce grande influência sobre outros escritores, em Portugal e no Brasil. Sobre sua obra debruçaram-se exegetas notáveis dos dois lados do oceano: o primeiro brasileiro a escrever no Brasil sobre um de seus romances (O primo Basílio) foi Machado de Assis. A avaliação definitiva é de Antônio J. Saraiva e Oscar Lópes: “Eça de Queirós é talvez como prosador a mais completa, multifacetada e apurada organização de artista de toda a literatura portuguesa” (SARAIVA; LÓPES, 1955, p. 932).

O caso relacionado com Mensagem, de Fernando Pessoa, reveste-se de alguma indignação, a princípio, e discutível compreensão, quando se analisa o contexto histórico do concurso. Era um torneio oficial, promovido pelo serviço de propaganda da ditadura salazarista. O primeiro lugar foi atribuído ao livro de versos religiosos Romaria, assinado por um padre, cuja notoriedade deve-se justamente a tal circunstância. Mensagem, o único livro que o criador dos heterônimos viu editado, ficou com o segundo galardão.

Na literatura brasileira, o caso mais famoso envolve Sagarana, de Guimarães Rosa: em sua primeira versão, em 1937, com mais de 500 páginas, submetido ao prêmio Graça Aranha, da Editora José Olimpio, foi classificado em segundo lugar. Após alterações radicais, foi publicado em 1946, com 300 páginas.

No ano passado, no Brasil, o romance O filho eterno, de Cristóvão Tezza (foto acima), conquistou os quatro maiores prêmios literários (Jabuti, Portugal Telecon, São Paulo, Passo Fundo), abiscoitando em torno de R$ 500.000,00 reais.

SARAIVA, Antonio José; LÓPES, Óscar. História da literatura portuguesa. Porto: Porto Ed., 1955.

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