Avaliação isenta e análise criteriosa do legado de mais de três dezenas de autores modernos e contemporâneos, Matinê de sábado foge a piruetas conceituais, busca descrever o material consultado, enquadrando-o no gênero a que pertence, desvendando-lhe as estratégias e interesses. Sem negligenciar as contingências biográficas marcantes, as estratégias associadas ao contexto e os mais relevantes efeitos estéticos.
A intencional mistura de autores canônicos e estreantes atende a uma ideia de partilha do patrimônio literário. Atuando na contramão dos dispositivos que contribuem para minar cada vez mais o campo devastado da literatura, o autor desconstrói dogmas consolidados e lança um olhar desarmado, mas lúcido, em obras representativas do acervo produzido nas últimas décadas, como trabalho de resistência num contexto por vezes atribulado, turbulento e multifacetado. Quando necessário, a busca de sentidos submersos, inscritos no tecido verbal, decorre do mergulho em camadas subterrâneas, fragmentárias e dispersas.
Saindo do forno. Mais de 30 autores têm sua obra analisada. Lançamento em breve.No âmbito do lançamento de Matinê de sábado, livro de ensaios e resenhas de literatura brasileira, pede-me o editor subsídios para compor o material de divulgação. Envio os dois parágrafos que se seguem.
Nos anos 70, incentivado pelos concursos de contos, que pagavam grandes prêmios financeiros, ocorreu no Brasil um expressivo surgimento de contistas. Foi o boom dos contistas, notadamente em Minas. Um jornalista paulista demarcou o cenário, afirmando que havia em Belo Horizonte um contista em cada esquina. Surgiram em torno de uns vinte contistas, na época. Foram publicadas muitas antologias de histórias curtas. O concurso mais importante era o do Paraná. A revista Status publicou antologia de contos mineiros e contos eróticos. No concurso de contos do Paraná, de 1971, fiquei em terceiro lugar na categoria estudante, confiro o troféu. No mesmo ano, fiquei em primeiro lugar em Concurso de contos da Revista Literária da UFMG. Em Minas, Libério Neves editou uma coleção de novos contistas, pela editora Interlivros, na qual figuro, ao lado de outros estreantes, como Luiz Gonzaga Vieira, Jaime Prado Gouvêa, Duílio Gomes, Lucienne Samôr, Ana Cecília de Carvalho, e de veteranos, como o próprio Libério Neves e Manoel Lobato.
Maria Lúcia Lepecki, professora na Faculdade de Letras da UFMG, no início da década de 70, enviou duas resenhas de minha autoria para Boris Schnaiderman que as encaminhou para o Suplemento Literário do Estadão: foram publicadas. O editor era Nilo Scalzo. Outras colaborações sucederam, o trabalho era remunerado, com pagamento de pro labore. No âmbito das publicações, eventos foram ocorrendo, como a carta de Clarice Lispector e o prêmio atribuído (IV Festival Universitário de Literatura Xerox, Livro aberto) ao romance Outono atordoado, em 2001.
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