Total de visualizações de página

sábado, 26 de abril de 2025

Eduardo Frieiro

       Folheando o livro de ensaios e crônicas de Eduardo Frieiro, O Elmo de Mambrino, deparo algumas quadras populares, versando as antipatias geográficas, presentes no folclore nacional. Pesquisadores recolheram rico material, em trabalhos de campo. São eles: Lindolfo Gomes, Leonardo Mota, Silvio Romero, Afrânio Peixoto.

    "Aqui, como em toda parte, não faltam os antagonismos locais. O Brasileiro do Norte ou do Nordeste implica com o Brasileiro do Centro e do Sul, e às avessas. Há todo um monumento de adágios, refrães, apodos, anedotas, sátiras e verrinas, que falam da desafeição interestadual e até intermunicipal. "Mineiro é pior que o mundo inteiro. Paulista, a perder de vista. Negro, cavalo branco ou baiano, nasce bom por engano. Carioca é pior que toda a tropa. Em terra de café, não há fé. Pernambucano, um por ano. Gaúcho, só com a faca no bucho. Paulista, nem fiado nem à vista. Capichaba, começa e não acaba. Sergipano, nem a remo, nem a pano." É uma toadilha sem fim. (...)

     Mineiro manda pra Corte,

     porque nunca foi mesquinho,

     depois de muito trabalho:

     boi, café, queijo e toucinho.

     

    Mas, da Corte só recebe,

    Do Carioca tagalera,

    em troca de tanta coisa,

    cometa e febre amarela.


FRIEIRO, Eduardo. O Elmo de Mambrino. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1971.




.

Nenhum comentário:

Postar um comentário