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quinta-feira, 15 de maio de 2025

Gilberto Amado e Gilberto Freire

  Nas horas de desalento em relação à vida literária, conforto-me em companhia de livros de dois autores, mestres na construção de uma linguagem límpida, radiosa de esplendor, simultaneamente erudita e dinâmica, fluida, refinada. Motivo suficiente para voltar a reler a obra por eles produzida. Refiro-me a dois Gilbertos nordestinos, dois renomados escritores, um extremamente orgulhoso, o sergipano Gilberto Amado, outro extremamente vaidoso, o pernambucano Gilberto Freire. Com as respectivas obras, O grão de areia A Chave de Salomão, do primeiro; Sobrados e mocambos e Casa grande & Senzala, do segundo.

       Os diários de Josué Montello registram, em vários recortes, os traços característicos dos dois autores. 


       “Com o alto juízo que fazia de si mesmo, e que deixava transparecer e fazia sentir, Gilberto Amado valia por um bom exemplo do mestre orgulhoso, enquanto o outro Gilberto, o Gilberto Freyre, era bem o protótipo do mestre vaidoso. O primeiro, no tirocínio da vida pública, encastelava-se no alto juízo de seu gênio, como se dispensasse o louvor alheio. Gilberto Freyre, não: ia buscar o louvor. Chegava mesmo a requestá-lo. Ia ao seu encontro. Precisava dele. Como oxigênio para os seus pulmões. Dilatava as narinas para recolhê-lo. Como a comprazer-se enchendo o peito”. (MONTELLO, 1994, P. 27).


MONTELLO, Josué. Diário da noite iluminada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994.


                                                              (Foto de Gilberto Freire: Escola UOL)
                                                                (Foto de Gilberto Amado: UFPE)



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