O enterro da cigarra
As formigas levavam-na...Chovia...
Era o fim...Triste outono fumarento!
Perto, uma fonte, em suave movimento,
Cantigas de água trêmula carpia.
Quando eu a conheci, ela trazia
Na voz um triste e doloroso acento.
Era a cigarra de maior talento,
Mais cantadeira desta freguesia.
Passa o cortejo entre árvores amigas...
Que tristeza nas folhas... Que tristeza!
Que alegria nos olhos das formigas!
Pobre cigarra! Quando te levavam,
Enquanto te chorava a natureza,
Tuas irmãs e tua mãe cantavam...
(Poesias escolhidas)
Nascido no Recife, PE, em 1889, o poeta cedo transferiu-se para o Rio de Janeiro, com a família. Nesta cidade, ainda jovem, na Rua do Ouvidor, aproximou-se de homens de letras, Olavo Bilac, Guimarães Passos, Emílio de Menezes, integrado aos moldes de um Simbolismo em declínio. Membro da ABL (1926); com a morte de Alberto de Oliveira, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, pela revista Fon Fon. Foi deputado federal e Embaixador do Brasil em Lisboa. Publicou, dentre outros livros, Ângelus (1911), Sonetos de Olegário Mariano (1912), Castelos de Areia (1923), Poesias Escolhidas (1932), O Enamorado da Vida (1937), Cantigas de encurtar caminho (1948).Faleceu em 1958 no Rio de Janeiro.
Ao longo dos últimos meses, tenho divulgado alguns sonetos que promoveram a nomeada de seus autores. Talvez, a esse respeito, se justifiquem três postulados:
1. A importância da obra dos autores em questão não se restringe aos poemas selecionados.
2. Esses poemas, peculiares por alguns motivos de natureza estética, não devem ser vistos como elogio incondicional às formas tradicionais da poesia. Em outras palavras, não pretendem sugerir que, em alguma instância, as mudanças não sejam inevitáveis. Grandes poetas modernos, como Vinícius de Morais, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, também praticaram a forma soneto.
3. A divulgação de tais sonetos não representa desinteresse pela produção poética contemporânea.

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