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quarta-feira, 21 de março de 2018

Laís Corrêa de Araújo

Em homenagem ao Dia da poesia, transcrevo um poema de grande poeta mineira

Sólida e só


Não como mulher
- seu pêlo de garça -
mas muro de ardente
sarça.
Não breve e inofensiva
- seu decorado rosto -
mas garra de sol
posto.
Não desatenta e viva
- o seio indivisível -
nas pá de solidão
audível.
Não trêmula e constante
- o desejo luzente -
mas árbitro de fato
potente.
Não o matriz intermédio
- de sexo equipada -
mas bravia orla
drenada.
Não a língua sutil
- entranha a lacerar -
mas a lucidez abjeta
do azar.
Não feminina. Fêmea
sólida e só, inteira,
por um instante eterno
- clareira. 


 Laís Corrêa de Araújo, em Cantochão. (Belo Horizonte: Imprensa Publicações/Governo do Estado de Minas Gerais, 1967.)

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