Livro do mês:
Rodrigo
Octavio (1866-1944), jurista e renomado magistrado brasileiro,
nascido em Campinas, formou-se bacharel pela Faculdade de Direito de
São Paulo. Serviu como secretário da Presidência da República do
governo de Prudente de Morais (1894-1896). Delegado do Brasil em
diversas conferências internacionais (Haia, 1910 e 1912; Bruxelas,
1909-1912; Washington, 1916; Paris, 1919), foi ministro do Supremo
Tribunal Federal de 1929 a 1934. Ocupou a cadeira 36 na Academia
Brasileira de Letras. Além de volumes de memória (Coração
aberto, 1928, Minhas
memórias dos outros, 1934-1936)),
publicou obras de direito e política internacional, como: Domínio
da União e dos Estados (1897),
Direito do estrangeiro no Brasil (1909),
a codificação do direito internacional privado (1910),
Questão de Lambari
(1916), Dicionário de direito internacional privado
(1935).
Quando representa o prefeito de Lambari (Hugo Werneck) na contenda jurídica da água mineral, defronta-se, no tribunal, com ninguém menos que Rui Barbosa, contratado advogado pelo Estado de Minas Gerais.
Quando representa o prefeito de Lambari (Hugo Werneck) na contenda jurídica da água mineral, defronta-se, no tribunal, com ninguém menos que Rui Barbosa, contratado advogado pelo Estado de Minas Gerais.
Em
Minhas memórias dos outros, seu livro
de maior fôlego, sob o ponto de vista literário, de acordo
com especialistas, Rodrigo Octávio
registra sua amizade com Machado de Assis, já autor consagrado. “A
lembrança que guardo de Machado de Assis é das mais intensas de
minha vida”, afirma, no início do capítulo III. A
atenção ao velho bruxo prossegue
por mais de vinte páginas:
“Pode-se afirmar que o prestígio e o sucesso da Academia
Brasileira eram a grande preocupação do Mestre. // Machado não era
um homem sociável, era mesmo de difícil familiaridade. Finamente
polido, atencioso para com toda a gente, tinha ele, entretanto, um
muito limitado círculo de relações de visita, e essas mesmas,
confinadas no seu bairro, dentro de um pequeno raio da casa em que,
por tantos anos, viveu” (Octavio,
1979, 54-55).
Outros
encontros com homens representativos da cultura e da política são
também relatados, ao lado de eventos de alta relevância histórica
de que o autor participou. O final do século XIX e o início do novo século, vistos de uma
forma direta e detalhada por
alguém que partilhou os acontecimentos, ressurgem de maneira fluente
e viva. Machado de Assis, Salvador
de Mendonça, Luís Guimarães, Rui Barbosa, Barão do Rio Branco, Guimarães
Passos, Luís
Murat, Pardal Malet, Coelho Neto, Aluízio Azevedo, Rodolfo
Bernardelli, Duque de Caxias, José
do Patrocínio, Olavo Bilac, dentre
outros, movimentam-se nestas páginas, escritas com o
tom de reminiscência e a
nota do afeto. Os primeiros anos da Academia Brasileira de Letras,
desde a fundação, de que participou junto do autor de Dom
casmurro, sua jornada como
núcleo de desenvolvimento intelectual do país, os
membros da primeira hora compõem preciosa memória da
vida cultural do país. O memorialismo do autor não
cultiva ressentimentos e fatos pitorescos, impõe-se como testemunho
sereno e analítico.
OCTAVIO,
Rodrigo. Minhas memórias dos outros. Rio
de Janeiro: Civilização brasileira, 1979.

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