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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Rodrigo Octavio


      Livro do mês:


      Rodrigo Octavio (1866-1944), jurista e renomado magistrado brasileiro, nascido em Campinas, formou-se bacharel pela Faculdade de Direito de São Paulo. Serviu como secretário da Presidência da República do governo de Prudente de Morais (1894-1896). Delegado do Brasil em diversas conferências internacionais (Haia, 1910 e 1912; Bruxelas, 1909-1912; Washington, 1916; Paris, 1919), foi ministro do Supremo Tribunal Federal de 1929 a 1934. Ocupou a cadeira 36 na Academia Brasileira de Letras. Além de volumes de memória (Coração aberto, 1928, Minhas memórias dos outros, 1934-1936)), publicou obras de direito e política internacional, como: Domínio da União e dos Estados (1897), Direito do estrangeiro no Brasil (1909), a codificação do direito internacional privado (1910), Questão de Lambari (1916), Dicionário de direito internacional privado (1935).
      Quando representa o prefeito de Lambari (Hugo Werneck) na contenda jurídica da água mineral, defronta-se, no tribunal, com ninguém menos que Rui Barbosa, contratado advogado pelo Estado de Minas Gerais.




      Em Minhas memórias dos outros, seu livro de maior fôlego, sob o ponto de vista literário, de acordo com especialistas, Rodrigo Octávio registra sua amizade com Machado de Assis, já autor consagrado. “A lembrança que guardo de Machado de Assis é das mais intensas de minha vida”, afirma, no início do capítulo III. A atenção ao velho bruxo prossegue por mais de vinte páginas: “Pode-se afirmar que o prestígio e o sucesso da Academia Brasileira eram a grande preocupação do Mestre. // Machado não era um homem sociável, era mesmo de difícil familiaridade. Finamente polido, atencioso para com toda a gente, tinha ele, entretanto, um muito limitado círculo de relações de visita, e essas mesmas, confinadas no seu bairro, dentro de um pequeno raio da casa em que, por tantos anos, viveu” (Octavio, 1979, 54-55).

      Outros encontros com homens representativos da cultura e da política são também relatados, ao lado de eventos de alta relevância histórica de que o autor participou. O final do século XIX e o início do novo século, vistos de uma forma direta e detalhada por alguém que partilhou os acontecimentos, ressurgem de maneira fluente e viva. Machado de Assis, Salvador de Mendonça, Luís Guimarães, Rui Barbosa, Barão do Rio Branco, Guimarães Passos, Luís Murat, Pardal Malet, Coelho Neto, Aluízio Azevedo, Rodolfo Bernardelli, Duque de Caxias, José do Patrocínio, Olavo Bilac, dentre outros, movimentam-se nestas páginas, escritas com o tom de reminiscência e a nota do afeto. Os primeiros anos da Academia Brasileira de Letras, desde a fundação, de que participou junto do autor de Dom casmurro, sua jornada como núcleo de desenvolvimento intelectual do país, os membros da primeira hora compõem preciosa memória da vida cultural do país. O memorialismo do autor não cultiva ressentimentos e fatos pitorescos, impõe-se como testemunho sereno e analítico.

OCTAVIO, Rodrigo. Minhas memórias dos outros. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1979.

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