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domingo, 1 de janeiro de 2017

Augusto Meyer


            Acredita-se que a poesia foi a primeira manifestação humana. Em muitos países, os poetas foram os pioneiros no uso estético das palavras, na elaboração de seus sentimentos e emoções.


O escritor gaúcho Augusto Meyer (1902-1970), hoje mais conhecido como ensaísta, um dos principais nomes brasileiros nesta área, iniciou, muito novo, publicando livros de poesia, A ilusão querida (1923), Coração verde (1926), Giraluz (1928), Poemas de Bilu (1929).

                                             (Augusto Meyer por C. Portinari)

 Dirigiu o Instituto Nacional do Livro, desde a sua criação (1938), no governo Vargas, ao longo de quase duas décadas (até 1956). Eleito em 1960 para a Academia Brasileira de Letras, tomou posse em 1961. No ensaio, destacam-se os títulos Machado de Assis (1935), À sombra da estante (1947), Preto e branco (1956), Camões, o bruxo, e outros estudos (1958), A forma secreta (1964). Em 2008, a editora José Olympio deu a lume Augusto MeyerEnsaios escolhidos, com seleção e prefácio de Alberto da Costa e Silva. Augusto Meyer foi também tradutor. Camões, Eça de Queirós, Garrett e Machado de Assis figuram entre os autores analisados.
      Sobre sua poesia, afirma Péricles Eugênio S.Ramos: "É a principal figura do modernismo gaúcho, (...) projeta-se a partir de Coração verde, livro no qual praticou uma poesia melancólica, embora otimista, cheia de presença da terra, bem como de doçura e humildade, e tocada eventualmente por uma ponta de ironia. A expressão é por vezes meiga e idílica" (RAMOS, P. E. S., 1969,159).Para saudar o Ano Novo, um poema de sua autoria.

GAITA

Eu não tinha mais palavras,
vida minha,
palavras de bem-querer;
eu tinha um campo de mágoas,
vida minha,
para colher.

Eu era uma sombra longa,
vida minha,
sem cantigas de embalar;
tu passavas, tu sorrias,
vida minha,
sem me olhar.

Vida minha, tem pena,
tem pena da minha vida!
Eu bem sei que vou passando
como a tua sombra longa;
eu bem sei que vou sonhar
sem colher a tua vida,
vida minha,
sem ter mãos para acenar,
eu bem sei que vais levando
toda, toda a minha vida,
vida minha, e o meu orgulho
não tem voz para chamar.

(Coração verde, 1926.)

RAMOS, Péricles E. S. Verbete Augusto Meyer. PAES, J. Paulo; MOISÉS, Massaud. Org. Pequeno dicionário de Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 1969, 159.

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