Livro do mês:
Atualizado e publicado em 1956, em primeira edição, por Alceu Amoroso Lima (1893-1983), há pouco mais de sessenta anos, Quadro sintético da Literatura Brasileira ocupa posto singular em nossa historiografia literária, tendo em vista a importância do autor no contexto cultural desde os anos de 1940. Corresponde a uma significativa reavaliação do legado modernista, além de seu estatuto de registro privilegiado, decorrente da participação de Alceu A. Lima, principal liderança católica entre os intelectuais, em inúmeros eventos dignos de relevo.
Atualizado e publicado em 1956, em primeira edição, por Alceu Amoroso Lima (1893-1983), há pouco mais de sessenta anos, Quadro sintético da Literatura Brasileira ocupa posto singular em nossa historiografia literária, tendo em vista a importância do autor no contexto cultural desde os anos de 1940. Corresponde a uma significativa reavaliação do legado modernista, além de seu estatuto de registro privilegiado, decorrente da participação de Alceu A. Lima, principal liderança católica entre os intelectuais, em inúmeros eventos dignos de relevo.
(Foto: Núcleo de memória PUC-Rio)
A
busca de uma visão abrangente nem sempre logra resultados positivos; o recorte
que se pretende abreviado mostra-se por vezes excessivamente resumido (no
caso do Simbolismo). A esse aspecto, releve-se o reiterado cuidado do organizador
em referir o caráter panorâmico, de voo de pássaro, adotado. No último
parágrafo do capítulo dedicado ao Simbolismo, após referir Cruz e Souza, Alphonsus de Guimarães e Mário Pederneiras,
afirma; “sem mencionar os poetas menores que esta curta memória não comporta”
(LIMA, 1959, 60). A matéria apresenta-se sob um enfoque geral tripartido (Fase
colonial, Fase imperial, Fase moderna), em que as duas primeiras vertentes parecem
denotar inferências sociológicas ou políticas; as subdivisões acolhem critérios
baseados nos estilos de época (a Fase imperial cobre dois momentos
–“Romantismo (1830-1870)” e “Realismo e Naturalismo (1870-1890)”. A denominação
da terceira fase aparentemente foge ao formato seguido nas duas primeiras: sua nitidez
decorre do lastro de autonomia que subentende. Inventário cuidadoso de nomes e obras, o livro alcançou largo prestígio ao longo dos anos de 1960 a 1970. A fundamentação
filosófica que alicerça o esboço dos distintos contextos assenta-se em
produtivo diálogo com o movimento das ideias instalado no solo europeu. No
prefácio desta segunda edição, somos informados que algumas alterações teriam
sido efetuadas levando em conta a “colaboração crítica de leitores”. Alguns
comentários e posturas interpretativas revelam as esperadas idiossincrasias do
autor: a destacada importância atribuída ao grupo de escritores católicos dos
anos 1940 e 50 e a defesa da crítica impressionista, considerada como “uma
forma indireta de humanismo”. No primeiro tópico, percebe-se a vigilância de
alguém que viveu de perto aquela inquietação, como se acompanhasse o próprio
percurso de convertido.
Com
a distância de mais de meio século, alguns temas desenvolvidos, hoje, se
ressentem de uma postura um tanto apressada, em abordagem ziguezagueante, num
movimento ondulatório, que avança um passo, atrasa dois. Josué Montello, romancista, tem uma
referência rápida, sem referência a obras, embora receba destaque como
ensaísta. O colaborador Eduardo Portela é assinalado de forma equivocada, Eduardo Fontela (p.82). A atuação de Oscar Mendes
é reconhecida, sem alusão a títulos publicados. Alceu, como todo crítico, gosta
de inventar tendências ou palavras, como “gramaticalidade metalógica”, de conceituação
obscura. O gosto dos confrontos tem no autor um praticante entusiasta. A
publicação modernista mineira, Revista,
ocorreu em 1925, não em 1930, como se lê à página 81. A ausência de uma
bibliografia geral e a de um índice onomástico alinham-se como falha capital. Os
capítulos focados no Modernismo e Neomodernismo são o ponto alto, com avaliações ainda válidas e oportunas. “A
beleza é essencialmente mutável e relativa. Não há modelos, nem fórmulas, nem
formas válidas para sempre” (LIMA, 1959, 126).
LIMA, Alceu Amoroso. Quadro sintético da Literatura Brasileira. 2a.
ed. Rio de Janeiro: Agir, 1959

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