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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Alceu Amoroso Lima

Livro do mês:    

       Atualizado e publicado em 1956, em primeira edição, por Alceu Amoroso Lima (1893-1983), há pouco mais de sessenta anos, Quadro sintético da Literatura Brasileira ocupa posto singular em nossa historiografia literária, tendo em vista a importância do autor no contexto cultural desde os anos de 1940. Corresponde a uma significativa reavaliação do legado modernista, além de seu estatuto de registro privilegiado, decorrente da participação de Alceu A. Lima, principal liderança católica entre os intelectuais, em inúmeros eventos dignos de relevo.

                                            (Foto: Núcleo de memória PUC-Rio)

            A busca de uma visão abrangente nem sempre logra resultados positivos; o recorte que se pretende abreviado mostra-se por vezes excessivamente resumido (no caso do Simbolismo). A esse aspecto, releve-se o reiterado cuidado do organizador em referir o caráter panorâmico, de voo de pássaro, adotado. No último parágrafo do capítulo dedicado ao Simbolismo, após referir Cruz e Souza, Alphonsus de Guimarães e Mário Pederneiras, afirma; “sem mencionar os poetas menores que esta curta memória não comporta” (LIMA, 1959, 60). A matéria apresenta-se sob um enfoque geral tripartido (Fase colonial, Fase imperial, Fase moderna), em que as duas primeiras vertentes parecem denotar inferências sociológicas ou políticas; as subdivisões acolhem critérios baseados nos estilos de época (a Fase imperial cobre dois momentos –“Romantismo (1830-1870)” e “Realismo e Naturalismo (1870-1890)”. A denominação da terceira fase aparentemente foge ao formato seguido nas duas primeiras: sua nitidez decorre do lastro de autonomia que subentende. Inventário cuidadoso de nomes e obras,  o livro alcançou largo prestígio ao longo dos anos de 1960 a 1970. A fundamentação filosófica que alicerça o esboço dos distintos contextos assenta-se em produtivo diálogo com o movimento das ideias instalado no solo europeu. No prefácio desta segunda edição, somos informados que algumas alterações teriam sido efetuadas levando em conta a “colaboração crítica de leitores”. Alguns comentários e posturas interpretativas revelam as esperadas idiossincrasias do autor: a destacada importância atribuída ao grupo de escritores católicos dos anos 1940 e 50 e a defesa da crítica impressionista, considerada como “uma forma indireta de humanismo”. No primeiro tópico, percebe-se a vigilância de alguém que viveu de perto aquela inquietação, como se acompanhasse o próprio percurso de convertido.
            Com a distância de mais de meio século, alguns temas desenvolvidos, hoje, se ressentem de uma postura um tanto apressada, em abordagem ziguezagueante, num movimento ondulatório, que avança um passo, atrasa dois. Josué Montello, romancista, tem uma referência rápida, sem referência a obras, embora receba destaque como ensaísta. O colaborador Eduardo Portela é assinalado de forma equivocada, Eduardo Fontela (p.82). A atuação de Oscar Mendes é reconhecida, sem alusão a títulos publicados. Alceu, como todo crítico, gosta de inventar tendências ou palavras, como “gramaticalidade metalógica”, de conceituação obscura. O gosto dos confrontos tem no autor um praticante entusiasta. A publicação modernista mineira, Revista, ocorreu em 1925, não em 1930, como se lê à página 81. A ausência de uma bibliografia geral e a de um índice onomástico alinham-se como falha capital. Os capítulos focados no Modernismo e Neomodernismo são o ponto alto, com avaliações ainda válidas e oportunas. “A beleza é essencialmente mutável e relativa. Não há modelos, nem fórmulas, nem formas válidas para sempre” (LIMA, 1959, 126).



LIMA, Alceu Amoroso. Quadro sintético da Literatura Brasileira. 2a. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1959

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