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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Hélio Fraga

      Hélio Fraga, conceituado jornalista e escritor, atuou durante anos no Estado de Minas, com matérias de teor político, esportivas e crônicas de mérito considerável. Sob o título de "Prejudicando o Brasil", publicou ontem no jornal O tempo um artigo em que faz comentários pertinentes sobre os dias que correm, em especial sobre o comportamento da presidente afastada. Transcrevo, por considerá-lo oportuno, algumas passagens do artigo.

      "O direito à liberdade de expressão é sagrado em cada ser humano, mas pede-se e espera-se que a verdade dos fatos seja respeitada. Muitos brasileiros se sentiram constrangidos quando, no festival de Cannes, artistas do filme Aquarius exibiram cartazes afirmando que "un coup d'etat a eu lieu au Brèsil" e "a coup took place in Brazil".  Pode ser a opinião pessoal desses artistas e do diretor - eles, sorridentes, e ele, de óculos escuros. Mas estavam divulgando uma mentira e sujando a imagem de nosso país.
      A classe artística depende de verbas e isenções oficiais, e suas manifestações têm forte conteúdo corporativo. Os cofres federais sempre estiveram abertos para esses ativistas culturais produzirem filmes e shows para os quais o cidadão paga ingresso - portanto, nada têm de filantropia. Mamam nas tetas do governo e defendem suas boquinhas.
      Agora que o Brasil passa a ter, pala primeira vez nos últimos 13 anos, um Ministério das Relações Exteriores disposto a rechaçar o desrespeito aos direitos humanos e os ataques à democracia, não se submetendo mais aos governos populistas e autoritários de Bolívia, Venezuela e Equador, é importante que nossas embaixadas não deixem sem resposta nenhum ataque desse tipo, porque estão distorcendo a verdade dos fatos.
      Admitir que houve golpe, que uma presidente da República foi afastada do poder de forma arbitrária e inconstitucional, é aceitar que estejam sendo traídas e renegadas a Constituição, a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria Geral da República (PGR). Tudo foi feito dentro da lei. E a PGR ainda tem muito mais a mostrar - esperem.
      Após exaustivos debates, com amplo direito de defesa, a presidente perdeu em todas as votações: de 367 a 137 na Câmara Federal; de 15 a 5 na Comissão de Investigação do Senado; e de 55 a 22 no plenário do Senado Federal - daí seu afastamento provisório por 180 dias. Durante todo o processo, desde o início do ano, em todos os momentos, a presidente denunciou um golpe. Foi a primeira a manchar publicamente a imagem institucional do país ao reunir correspondentes estrangeiros no Planalto para insistir em sua tese, e eles transmitiram essa mentira aos mais poderosos meios de comunicação de todos os continentes."
      (...)

FRAGA, Hélio. Prejudicando o Brasil. O tempo. Belo Horizonte, p. 19, 31 maio de 2016.

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