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terça-feira, 26 de abril de 2016

Sá-Carneiro

No dia 26 de abril de 1916, o poeta português Mário de Sá-Carneiro suicidou-se no Hotel Nice, em Paris. Contava 36 anos, exilara-se na capital francesa na sequência de turbulenta crise existencial e financeira. Publicara um livro de poesia (Dispersão, 1914), uma novela (A confissão de Lúcio, 1914), um volume de contos (Céu em fogo, 1915), tendo participado do lançamento de duas edições da revista Orpheu (1915), o mais importante periódico do modernismo português. Grande amigo de Fernando Pessoa com quem se correspondia, deixou registrada em cartas a atribulada vivência dos últimos três meses, com a confidência de queixas, notas de desespero e avisos de desistência. Sua morte  completa hoje cem anos.
Como poeta, Sá-Carneiro granjeara a atenção dos intelectuais por uma refinada consciência artesanal e engenhosos recursos criativos. O restante de sua obra – constituído por mais um livro de versos (Indícios de oiro), - seria publicado graças ao empenho de Fernando Pessoa, só em 1937.

                                     
                                       (Imagem: pensamentosnomadas.com)


          “A poesia de Sá-Carneiro deixa sob suspeição qualquer traço de plenitude e elege a dispersão como opção estética: “Um pouco mais de sol – eu era brasa./ Um pouco mais de azul – eu era além” (“Quase”).

         Produzida num contexto tenso – entre o simbolismo e o futurismo – a poesia de Sá-Carneiro oscila entre o hermetismo e a dissonância, entre a ironia e o desejo de escandalizar a mentalidade burguesa, questionando padrões estratificados ...” (PEREIRA, Edgard et alii.  Intersecções – ensaios de literatura portuguesa. Campinas: Komedi,  2002, p.41-42).

Um comentário:

  1. Merecido e justo registro!Sá-Carneiro, cem anos depois de seu "passamento trágico", a nota de sua passagem meteórica entre "nós". A permanência dessa poesia "entre hermética e dissonante" agora lembrada é comovente. A nota crítica tem final apoteótico. Parabéns a Edgard Pereira pelo registro memorável.

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