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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Paulo Merçon (1971-2014)

      "Morre jovem o que os Deuses amam, é um preceito da sabedoria antiga. E por certo a imaginação, que figura novos mundos, e a arte, que em obras os finge, são os sinais notáveis desse amor divino. Não concedem os Deuses esses dons para que sejamos felizes, senão para que sejamos seus pares". Com estas palavras inicia Fernando Pessoa o artigo em que lamenta a morte trágica de seu amigo poeta, Mário de Sá-Carneiro.


      Só recentemente fiquei sabendo da morte de Paulo Merçon, ocorrida há uns seis meses. Vimo-nos três vezes, o suficiente para aquilatar sua vitalidade, altivez física e rara sensibilidade. Quando me procurou para prefaciar seu livro Abreviaturas do invisível, em fins de 2008, já era um poeta maduro e de grandes recursos. Juiz do trabalho, cursava mestrado, em brilhante carreira jurídica. Márcio Almeida e Nonato Gurgel também reconheceram em textos críticos a qualidade de seus versos. Transcrevo, como homenagem, um dos poemas de seu livro.

      Fábula notívaga

No formato de uma lâmpada que acende
aflita e perplexa
às vezes uma ave.

A escuridão é essa gaiola
ao se abrir, a fuga
da cor e da forma, um voo
pausado e mudo
nos corredores do pensamento

que pela trilha das horas
galopando em
musculoso silêncio
desfralde talvez

o esplêndido cavalo da insônia.

Um comentário:

  1. Linda homenagem a meu primo, obrigada! Ele pertencia a um mundo maior!

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