Total de visualizações de página

Pesquisar este blog

domingo, 12 de outubro de 2014

Correção em dados é o mínimo que se espera

      Além de pactuarem com a corrupção, muitos políticos apresentam estatísticas incorretas, o que corrobora para que a população os veja com incredulidade. Miriam Leitão (na imagem), jornalista especializada na área econômica, várias vezes premiada, comenta, na coluna de hoje, a postura diante da economia dos maiores partidos nas últimas décadas. E contribui para desfazer alguns equívocos, que a campanha petista insiste em divulgar. Pinço fragmentos de seu artigo.
      "Não haveria política social que funcionasse sem a vitória sobre a hiperinflação, e ela foi derrotada pelos economistas que são do PSDB ou se identificam com ele. O salário mínimo começou a se recuperar a partir da estabilização; os programas de transferência de renda foram possíveis por causa do real. As políticas sociais do PT têm méritos, mas o debate eleitoral criou uma dicotomia inexistente."


      Afirmar que o governo de Fernando Henrique Cardoso se submeteu ao FMI é uma das ideias distorcidas que a campanha petista insiste em divulgar. Volto ao artigo de Míriam Leitão:
      "O dólar disparou, o juro subiu, a inflação se elevou e o governo FHC tomou junto ao FMI um empréstimo que teve 80% de seu valor sacado no mandato de Lula, criando um colchão de reservas sem o qual teria sido muito difícil o início do novo governo.
      Esta foi a história que eu vi se desenrolar no dia a dia da cobertura da economia. Sei que foi assim não por ouvir dizer, mas por ter acompanhado."
      Na sequência, Míriam Leitão se detém na estatística a respeito da redução de pobres no país. Antes, porém, refere a prática nociva de maquilar os dados.
      "A irracionalidade do debate, e as manipulações dos números e fatos, exasperam quem acompanha a economia brasileira há tantos anos e sabe o contexto de cada dado e momento." E, após referir que, se de um lado, o desemprego baixo é "uma excelente notícia", alerta que as bases do desemprego "vêm sendo corroídas pelos desajustes fiscais e monetários que este governo permitiu. O emprego na indústria já está em queda há cinco meses, mostrou o IBGE na sexta-feira."
       O Plano real, com a estabilização econômica, produziu, segundo Míriam Leitão, a primeira forte queda do percentual de pobreza no país, de 45% para 34%. Se as políticas do PT foram positivas, produziram outra queda do percentual de pobreza, de 34% para 15,09%. Portanto, não condiz com a verdade afirmar que o governo do PSDB deixou um percentual em torno de 54% de pobres. Com a palavra mais uma vez Míriam Leitão:
      "O recuo do percentual de pobres e miseráveis é outra excelente notícia. Mas de que maneira a queda poderia ter sido construída num país com a hiperinflação que o PSDB domou? A propósito, o ministro Aloízio Mercadante mostrou os bons números da redução da pobreza em entrevista ao jornal Valor Econômico de sexta-feira. Disse que o percentual de pobres caiu de 34% para 15,09%. Maravilhoso. Mas cabem dois adendos. No resuminho de programa que a presidente Dilma divulgou, por determinação do TSE, está dito - e a candidata repetiu em entrevistas - que ao fim do governo FHC eram 54% os pobres. O dado certo é o de Mercadante. o mesmo do IPEAdata. O segundo detalhe ocultado é que a estabilização, em 1994, produziu a primeira forte queda, de 45% para 34%."

      O povo não gosta de ser enganado.

LEITÃO, Míriam. "Ofensa sem sentido". O tempo. Belo Horizonte, 12 out. 2014, p. 13.

Nenhum comentário:

Postar um comentário