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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Julio Cortázar

      Comemoram-se neste ano o centenário de nascimento e os trinta anos de morte do escritor argentino Julio Cortázar  (1914-1984), que viveu grande parte de sua vida na França, autor de clássicos da ficção, como Rayuela, 1966, em tradução brasileira O jogo da amarelinha. A literatura de Cortázar movimenta-se num universo atravessado continuamente por enigmas e fantasias insólitas. Por detrás de um cotidiano conhecido e previsível, esconde-se um mundo caótico, cheio de eventos obscuros e fugidios.  A confluência dos limites, entre o real e o fantástico, o banal e o mistério, constitui o eixo básico de seus relatos, que evoluem em ritmo obsessivo, através de insistência em alguns detalhes e associações inusitadas. Numa passagem de um de seus contos, escreve: "...nas primeiras horas talvez seja menos duro sentir irrevogavelmente a ausência do que suportar um tropel de abraços e de grinaldas verbais" ("Liliana chorando", em tradução de Gloria Rodriguez, do livro Octaedro). O conto "As babas do diabo" inspirou o filme Blow-up - depois daquele beijo, de Antonioni (1963), um cult das telas. Em O jogo da amarelinha, Cortázar atinge um altíssimo domínio técnico na narrativa e montagem de situações reveladoras da turbulência oculta na suposta ordem do mundo. O denso mergulho na condição humana jamais se desliga de uma profunda experimentação e debate sobre os recursos ficcionais. Dentre suas obsessões temáticas inscreve-se a atividade do escritor, com suas opções, limites e seu instrumento, a linguagem. Muitos preferem o romancista, outros (como Nélida Piñon) admiram o contista, mais adstrito às convenções do gênero.

                                       (Foto: contracapa de O jogo da amarelinha, 1971)

      Julio Cortázar exerceu grande fascínio nos anos 60 e 70, na América e na Europa, tendo influenciado muitos escritores. A seguinte passagem, transcrita de O Jogo da amarelinha, registra a sua consciência  da criação literária: "Contudo tão sequioso de absoluto como quando tinha vinte anos, mas a delicada crispação, a delícia ácida e mordente do ato criador ou da simples contemplação da beleza, não me parecem já um prêmio, um acesso a uma realidade absoluta e satisfatória. Só há uma beleza que ainda pode dar-me este acesso: a que é um fim e não um meio, e que o é porque seu criador identificou em si mesmo seu sentido da condição humana com seu sentido da condição de artista. Em troca o plano meramente estético parece-me isso: meramente. Não posso explicar-me melhor" (em tradução de Bella Josef). Outras obras: Os prêmios, 62 Modelo para armar,  romances; Bestiário, As armas secretas, Todos los fuegos el fuego, Final de jogo, livros de contos.


            (Capa da edição brasileira de 1971, pela editora Civilização Brasileira)

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