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domingo, 30 de março de 2014

Os prejuízos da Petrobrás


      Mais uma vez, deve-se à imprensa, neste caso ao jornal O Estado de São Paulo, a divulgação de péssimas noticias para a economia do país. Em 2012, o Estadão apresentou  detalhes sobre a compra pela Petrobrás de uma malfadada refinaria em Pasadena (EUA). Anteriormente comprada por uma empresa belga por pouco mais de 42 milhões de dólares, a refinaria custou, ao fim e ao cabo, mais de 1 bilhão e 200 milhões de dólares para a estatal brasileira. Esta quantia pode ainda aumentar, tendo em vista impostos não pagos em anos anteriores à transação. Autoridade máxima do Conselho Administrativo da Petrobrás na época, mantida com salário de marajá, Dilma Rousseff autorizou a transação, que reverteu em vultosos prejuízos aos cofres da Cia. Cresce a indignação popular diante de mais esse escândalo. Outros protagonistas do caso foram demitidos ou presos e a explicação da Presidente do Conselho de que teria sido enganada por relatório incompleto não colou.
      Enquanto a sociedade aguarda a apuração dos fatos, novos detalhes vão surgindo. Dentre algumas matérias sobre o caso, agradou-me artigo de autoria de Heron Guimarães, cheio de ironia, publicado no jornal O tempo. Seguem alguns tópicos.


"Há pouco mais de quatro anos, uma gente paga pelo governo escorou-se na Petrobrás para a criação de um conceito de sucesso, uma campanha com planejamento e feeling de dar inveja ao "Yes, we can", de Obama, de forma que se alastrasse para todos os setores da sociedade.  Essa gente seguiu em frente, transformando ilusões em oportunidades de votos. A terra, o mar, tudo foi usado para essa gente ir cada vez mais longe, cada vez mais fundo nos cofres públicos. E essa gente foi capaz de desenvolver uma técnica de persuasão de grandes massas de indubitável eficiência.

Essa gente anunciou quebra de recordes e a maior descoberta de petróleo de todos os tempos em águas profundas, com a proeza de, quatro anos depois, não conseguir aumentar a produção de barris e ter que aumentar a importação.
(...)
Os fertilizantes, nesse caso, serviram muito bem para fazer crescer a popularidade da presidente do conselho que, apoiada por essa gente, viu-se presidente da República, sucedendo o grande líder que essa gente escolhera para o país, ludibriando, com sedução incomum, o restante de toda a gente.

Hoje o mundo inteiro olha para a gente desse país que tem um pesadelo diferente por dia.
O mundo inteiro olha para o caos no transporte dessa gente, para a violência que essa gente sofre todos os dias, para os aeroportos sem estrutura, para o potencial mortal das precárias estradas pelas quais essa gente transita, para a falta de saúde e pelo analfabetismo sistêmico de uma imensidão de gente.

Quem está de fora vê essa gente preparar uma Copa do Mundo para outra “gente” vir e faturar, enquanto os agentes da Fifa, apesar de tudo quererem e quase tudo receberem dessa pobre gente, dizem, sob holofotes, que, nos próximos anos, escolherão nações menos problemáticas do que a construída por essa gente.

É essa gente quem inspira o que a gente faz. O que a gente é. E o que a gente é? Uma gente que é roubada em mais de R$ 1 bilhão de dólares e ainda acha que essa gente merece continuar fazendo de nossa companhia de petróleo um vexame que pouca gente acreditou que seria um dia."
GUIMARÃES, Heron. US$ I bilhão que inspiram gente. O tempo, Belo Horizonte,  29/03/14.

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