Este espaço, voltado
às questões literárias, não abdica por vezes do comentário sobre
o cotidiano, em que todos tomamos pé, e seus desdobramentos
políticos. Ainda mais quando nuvens de chumbo e escuras nos ameaçam,
e nem se tratam de iminentes aguaceiros.
Em ano de eleição
presidencial, os votos são caçados de forma implacável. Ações
impensáveis noutra época, algumas beirando o patético, tornam-se
rotineiras, no intuito de espalhar uma fumaça enganosa e conquistar
a simpatia do eleitorado. O governo e seus tentáculos tentam a todo
custo emplacar a reeleição da atual presidente, num cenário árido
de realizações efetivas. Como se não bastasse a política
assistencialista do Bolsa Família, que em outro ciclo pelo menos
manteve uma contrapartida educacional (o Bolsa Escola),
multiplicam-se as diligências publicitárias com o fito de uma elite
envolvida com a corrupção e incompetência se perpetuar no poder.
O estado de Minas
Gerais, merecedor de um abandono arrogante do atual governo, com
prejuízos incalculáveis em infraestrutura, mobilidade social e
educação, transforma-se em palco de pirotecnias políticas e
fanfarras. Caravanas e comitivas estreladas, portando consabidas
caras de bonecos sanguessugas do dinheiro público engravatados,
correm o estado de norte a sul. À falta de obras de impacto para
inaugurar, como o seriam a reduplicação da 381 (na direção
B.Horizonte- Vitória) ou o prometido metrô da capital, assistimos a
uma exposição inócua e interesseira de última hora de uma
presidente que (segundo consta) teria nascido nestas paragens.
Presidente da República participando de formatura de Escola Técnica,
sem respaldo de um projeto educacional consistente, e doando
retroescavadeira para prefeituras carentes é um espetáculo no
mínimo popularesco e risível.
Imagem drd.com.br
Como profissional da área da
educação e para recompor proventos, durante oito anos fui usuário
da Rodovia da Morte, onde pude testemunhar, com dor, o resultado de
incúria e descaso dos órgãos federais. Presenciei acidentes e
mortes de colegas e alunos, numa estrada perigosa, cheia de curvas em
região de grande riqueza mineral, monumentos e significado
histórico, além de reservas ecológicas deslumbrantes. Sem referir o peso
estratégico e a força da atividade mineradora. Consideram-nos um
gado alienado e desprovido de senso crítico. Em melancólico fim de
ciclo, sem obras importantes realizadas, a não ser em Cuba e algumas
tiranias africanas, com a inflação retornando para assombrar a
classe média, na sequência de erros sucessivos na economia, está
na hora dessa gente retornar aos sindicatos, de onde nem deveria ter
saído.
Escrito em 11/03/2021:
O caso Dilma Rousseff. Causa indignação e asco que ainda existam brasileiros que defendem a imagem de determinados políticos. O impedimento, no caso desta presidenta, ficou barato. Ainda não prestou contas dos imensos prejuízos causados ao país por seu governo e atuação na Petrobrás. Tudo em que pôs a mão degringolou. Os Correios, tradicional empresa séria, confiável, usada como suporte financeiro de sua reeleição, perdeu a credibilidade de décadas. A compra da refinaria americana sucateada a peso de ouro está por ser explicada. Os escandalosos subsídios distribuídos pelo Ministério da Cultura a artistas coligados nunca foram sequer justificados. Sem falar na doação de milhões de dólares a republiquetas comandadas por ditadores pseudo-socialistas, como Cuba, Angola, Venezuela, Bolívia. Ela e o parceiro, o demiurgo de Guaranhuns, jamais deveriam ter saído da gruta de Ali Babá.

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