Morreu na semana
passada Stuart Hall, o pesquisador jamaicano que
vivenciou dramaticamente as contradições contemporâneas e se
destacou na área da sociologia. Originário de uma família
negra de Kingston, capital da Jamaica, mudou-se nos anos de 1950 para
a Inglaterra, com uma bolsa de estudos para a Universidade de Oxford,
fugindo à herança colonial e aos problemas raciais. Na Inglaterra,
sentindo-se deslocado, convive com imigrantes e intelectuais de
esquerda, interessados em debater questões pós-colonialistas e o
lugar do sujeito na nova ordem mundial. Questionam alguns dogmas do
marxismo ortodoxo, um deles era ver a cultura como subproduto da
economia.
Imagem: Stuart Hall Project/divulgação do documentário
De 1979 a 1999, foi
professor da Open University, destacando-se como um dos pioneiros
nas pesquisas do sistema ou núcleo do pensamento conhecido como “estudos
culturais”, com sólidos subsídios aos estudos sobre cultura
popular, raça, identidade e gênero. Participa ativamente, junto com
outros autores, como Raymond Williams, na fundação e consolidação
do Center for Contemporary Cultural Studies, na Universidade de
Birmingham, onde o grupo propõe uma nova vertente científica, cujo
interesse seria a interdisciplinaridade entre todas as áreas de
saber e representação cultural.
Para Stuart Hall, a
criação cultural envolve a disputa pelo poder, a significação
social e a produção de sentidos. Entende a cultura não mais como
conjunto de referências históricas ou estéticas de determinado
contexto, mas como “ponto crítico de ação e intervenção
social, no qual relações de poder são estabelecidas e
potencialmente desestabilizadas”. Em sua produção teórica, enraizada em paradigmas do materialismo dialético, são discutidos e enfatizados os conceitos de ideologia, hibridismo, articulação, fronteira, pertencimento, identidade descentrada, subcultura. Dois de seus livros estão traduzidos no Brasil e influenciam em larga escala as investigações em ciências humanas: A identidade cultural na pós-modernidade (DP&A Editora) e Da diáspora - identidades e mediações culturais (Ed. UFMG).


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