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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Stuart Hall (1932-2014)

      Morreu na semana passada Stuart Hall, o pesquisador jamaicano que vivenciou dramaticamente as contradições contemporâneas e se destacou na área da sociologia. Originário de uma família negra de Kingston, capital da Jamaica, mudou-se nos anos de 1950 para a Inglaterra, com uma bolsa de estudos para a Universidade de Oxford, fugindo à herança colonial e aos problemas raciais. Na Inglaterra, sentindo-se deslocado, convive com imigrantes e intelectuais de esquerda, interessados em debater questões pós-colonialistas e o lugar do sujeito na nova ordem mundial. Questionam alguns dogmas do marxismo ortodoxo, um deles era ver a cultura como subproduto da economia.

                   Imagem: Stuart Hall Project/divulgação do documentário

      De 1979 a 1999, foi professor da Open University, destacando-se como um dos pioneiros nas pesquisas do sistema ou núcleo do pensamento conhecido como “estudos culturais”, com sólidos subsídios aos estudos sobre cultura popular, raça, identidade e gênero. Participa ativamente, junto com outros autores, como Raymond Williams, na fundação e consolidação do Center for Contemporary Cultural Studies, na Universidade de Birmingham, onde o grupo propõe uma nova vertente científica, cujo interesse seria a interdisciplinaridade entre todas as áreas de saber e representação cultural.



      Para Stuart Hall, a criação cultural envolve a disputa pelo poder, a significação social e a produção de sentidos. Entende a cultura não mais como conjunto de referências históricas ou estéticas de determinado contexto, mas como “ponto crítico de ação e intervenção social, no qual relações de poder são estabelecidas e potencialmente desestabilizadas”. Em sua produção teórica, enraizada em paradigmas do materialismo dialético,  são discutidos e enfatizados os conceitos de ideologia, hibridismo, articulação, fronteira, pertencimento, identidade descentrada, subcultura. Dois de seus livros estão traduzidos no Brasil e influenciam em larga escala as investigações em ciências humanas: A identidade cultural na pós-modernidade (DP&A Editora) e Da diáspora - identidades e mediações culturais (Ed. UFMG).


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