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sábado, 12 de outubro de 2013

A Feira desastrada

      O Ministério da Cultura levou 70 escritores para a Feira Internacional do Livro, na Alemanha, numa demonstração de grandiosa presença cultural no velho mundo. Termina neste fim de semana. A escolha desses setenta notáveis gerou críticas e polêmicas, deixando visível a opção pelos quadros favoráveis ao status quo político.  Ou seja, quem não dança conforme a música ficou de fora. Isso ocorreu, com raras exceções de méritos indiscutíveis e que abrange uma dezena dos 70. Não me peçam a enumeração de nomes. Basta clicar na relação da comitiva e ficará evidente o mérito de uma dezena. Dos 70, conheço de ler a obra exatamente 30 autores. Além desses setenta, mais uns quarenta nomes, que se julgam merecedores de participar da homenagem literária ao Brasil, bateram às portas de agências e instituições para conseguir verbas e se mandaram para Frankfurt. Não sem antes sobrecarregar as redes sociais com textos autoelogiosos, promocionais e ridículos. Enfim, sic transit gloria mundi.



      Os dois mil escritores excluídos da lista da "comitiva oficial" espernearam. O maior escritor brasileiro vivo, (Paulo Coelho), no critério visibilidade mundial, apesar de convidado, escusou-se e criticou as panelinhas e igrejinhas do Ministério da Cultura. Segundo fontes futriqueiras e a Candinha, o autor de O Mago irritou-se por não ser o escolhido para discursar na cerimônia de abertura. Aí está o ipsilone. O discurso na festa de abertura, com toda a pompa e circunstância.  O autor escolhido, o mineiro Luiz Ruffato, fez um discurso realista e direto, criticando a desigualdade social, a violência contra os gays e em geral, a corrupção política, a miséria e todas as mazelas que o mundo informado está farto de saber a respeito do país. A alta cúpula do Ministério da Cultura desmoronou, afirmando não ser aquele o lugar para  "aula de sociologia". Preferiam loas e odes aos verdes mares e às maravilhas tropicais. Em geral os governos abominam a sociologia. No caso em questão, foge dos sociólogos como o diabo da cruz. Ruffato tem declarado que a reação ao seu discurso foi violenta, quase sofreu ataque físico. Compreensível, para quem mora no Brasil e conhece a temperatura e a veemência da (cada vez mais reduzida) militância do PT, partido do governo. Se o Planalto pretendia enganar a mídia, contando que os escritores se prestassem ao papel de moeda para referendar a sua política, se deu mal. Evento cultural é, sim, lugar para conscientizar as pessoas e mostrar o verdadeiro cotidiano do país.

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