Não foi só o país que acordou e foi às ruas para expressar algum tipo de protesto. Alguns talentos, adormecidos há algum tempo, também foram chacoalhados pelos gritos das ruas. Tal se pode afirmar de Léa Nilse Mesquita (que era Nilce), poeta rigorosa e de muitos recursos, despertada por força da veemência das ruas. No bilhete em que autoriza a divulgação do poema, ela insiste que "repentista gosta de espalhar seu canto e folheto pelas praças".
No
calor da hora
17/6/13,
noite
Faça-se
o
passe
livre,
que
obrigue
ao
outro
o
imposto
à
minha passagem!
Quero
a viagem
sem
cobranças,
portas
sem trancas,
entradas
sem catracas,
chutar
o pau da barraca
com
meu direito
de
eleito (sem pleito)
ao
transporte,
ao
esporte,
à
escola,
à
cola,
ao
prato na mesa,
à
meia,
paga
pela inteira,
à
terra, à bolsa-tudo,
à vida
no outro mundo
possível,
que inundo
da paz
com a minha agressão,
do meu
refrão...
Faça-se
o
passe
livre,
que
obrigue
ao
outro
o
imposto
à
minha passagem!
Quero
a vadiagem,
o
oba-oba,
tirar
a roupa
para o
papa,
atirar
empregada
contra
patroa
e, numa
boa,
gritar
não
à
repressão
da
Cracolândia.
Quero a
Banânia,
autoridades
surdas
ao
medo das ruas,
aos
prédios em alarme,
mas
que desarmem
o
simples cidadão,
este
perigo,
este
inimigo
do meu
refrão...
Faça-se
o
passe
livre,
que
obrigue
ao
outro
o
imposto
à
minha passagem!
Quero
a postagem
do meu
torpedo
furando
o bloqueio
dos
olhos arregalados
do
espanto calado
de
antes
diante
da
minha determinação
ao
futuro da nação:
“Cumpra-se
no ato,
é
dever do Estado
tudo
dar
ao
menor de 30
e ao
maior menor se sinta;
do
resto, cobrar
a
conta
de
ponta a ponta,
eliminando-se
os dispostos
a
contrariar o imposto,
fora
do cordão
do meu
refrão...”
Faça-se
o
passe
livre,
que
obrigue
ao
outro
o
imposto
à
minha passagem!
Léa Nilse
Mesquita
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