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domingo, 28 de julho de 2013

Inhotim, arte e natureza

      Esqueçamos por alguns instantes o lado cruel e violento da realidade, as notícias manchadas de corrupção, as previsões pessimistas de intelectuais sobre a decadência cultural do nosso temo. Para Vargas Llosa, o nosso é um tempo perdido, no qual só há espaço para a cultura do entretenimento. Diante da realidade brasileira, os informes são pouco animadores, o país parece naufragar em ondas de miséria e pouco interesse oficial em apresentar soluções concretas para as questões prementes de saúde, educação, segurança social e qualidade de vida. Os políticos continuam voando em jatos da FAB em viagens de lazer e para atender apadrinhados; embaixadas onerosas multiplicam-se em todos os quadrantes, mesmo em ilhotas caribenhas sem afinidades históricas e comerciais com o país; doações milionárias secretas são feitas a republiquetas tirânicas de África; os 39 ministérios (quarenta é número dos ladrões de Ali-Babá) continuam em atividade de rapinagem, troca de favores, incompetência e propaganda enganosa. 


      Falemos de arte e natureza. Falemos de experiências positivas e práticas exemplares como suporte para a produção, divulgação e reflexão sobre o trabalho artístico e cultural. Minas Gerais sempre teve um papel pioneiro, nesse tipo de empreitada voltada para a vanguarda e a experimentação. Localizado em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, Inhotim é um complexo instituto de arte contemporânea, botânica e meio ambiente. O acervo artístico inclui mais de 500 obras, executadas por 97 artistas nacionais e estrangeiros, de 30 nacionalidades, com ênfase na produção desde os anos sessenta. São mais de 4 500 espécies de plantas nativas e exóticas, distribuídas no espaço de uma antiga fazenda no sertão do rio Paraopeba.


      Referência consolidada de arte contemporânea no país, o complexo abriga mostras permanentes e temporárias de renomados artistas nacionais e internacionais, espalhadas em galerias, pavilhões e jardins.


      A grande novidade é a bem sucedida relação entre a arquitetura, a paisagem e a atividade específica de um museu, qual seja a de abrigar e expor obras de arte. Além de ser um local onde o público tem acesso a importante acervo da arte contemporânea, com obras assinadas por nomes como Adriana Varejão, Tunga, Cildo Meireles, Cris Burden, Hélio Oiticica e Neville d'Almeida, Iran do Espírito Santo, Burle Marx, Ligia Pape, Amilcar de Castro, entre outros, Inhotim as integra em cenário natural ou em pavilhões específicos. 


      O visitante interage com algumas peças, conhece um acervo significativo e integra-se num cenário natural surpreendente, em que a natureza é não apenas preservada, mas enriquecida com intervenções lúdicas e provocantes. 

      (As fotos são de Gabriel Pereira Reis)

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