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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Petrobrás em queda

      Não trabalho na Petrobrás, nunca recebi incentivo ou pro labore da estatal. Minha relação com a ex-maior empresa da América latina é igual à de todos os brasileiros. Usuário de combustível, como todos os brasileiros que contribuíram pesado para a sua capitalização. Os que têm mais de 50 anos não esquecem os altos preços de gasolina que vigoram no país, em especial nas últimas três décadas do século passado. A desculpa para o sacrifício (o preço da gasolina interfere diretamente no cotidiano de todas as pessoas) era que a estatal precisava capitalizar-se, para que o país atingisse autonomia em combustível. E tudo isso para quê?

                                             ( Imagem: jornal Brasil econômico)
      Dados recentes: queda de R$21,2 bilhões no lucro líquido do ano passado; redução de 2,35% na produção de petróleo e derivados; desvalorização das ações no mercado, nos últimos três anos.
      Com espírito nacionalista, os brasileiros deram sua cota de sacrifício para fortalecer a empresa, orgulhosamente considerada um patrimônio nacional. A partir dos anos 90, habituamo-nos a sentir orgulho em relação à Petrobrás, patrocinadora oficial de vacinação a grandes eventos. Nos últimos dez anos, o que se acreditava um patrimônio do país tornou-se patrimônio de um partido, o PT. A estatal transformou-se em braço do governo, por ele usada como suporte financeiro para financiar pirotecnias diplomáticas (doações milionárias a países do terceiro mundo), engordar contas bancárias de conselheiros administrativos, subsidiar projetos e shows de artistas consagrados, consolidar lideranças políticas populistas (algumas corruptas) e abrigar (empregar) executivos comprometidos com o aparelhamento estatal.
      Em editorial recente, a Folha de São Paulo credita a "sequência negativa de resultados" à gestão anterior, "politizada e refratária a critérios de eficiência" ("Estragos na Petrobrás", FSP, 6 fev.2013). Houve mudanças no alto comando. A expectativa é que sejam adotadas novas diretrizes administrativas, desvinculadas de interesses políticos.

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