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domingo, 24 de fevereiro de 2013

A lista de escritores que vão a Frankfurt

      Nos meios literários, corre um frisson extemporâneo. Engana-se quem pensa tratar-se de febre coletiva de criação, produtiva véspera de grandes obras. Nada disso. A grande comoção deve-se ao próximo anúncio de uma dilatada lista de autores brasileiros que vão representar o país na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, na Alemanha, em outubro.

      A expectativa natural, no entanto, vem embrulhada, salvo raras exceções, em explícitos apoios políticos ao governo petista, há dez longos anos mandando e desmandando no Planalto.Nada é perfeito. Colaborei para isso, pelo menos nos quatro primeiros anos, votando em 2002 nos companheiros. Várias caravanas de escritores visitarão algumas cidades da Alemanha, custeados pelo governo, divulgando a nossa literatura. Até aí, tudo bem, desde que os critérios fossem iguais para todos, observados os méritos, esses inquestionáveis.
      Como se não bastasse o aparelhamento político nas empresas estatais, a política instalou-se, há muito e com forte colorido rubro, nas agências culturais: os últimos editais foram direcionados para os afro descendentes, os favorecidos em geral são nomes comprometidos com os interesses dos poderosos de plantão. Há muito não se observa o princípio da meritocraria ou a noção republicana de igualdade de condições. Nas redes sociais, nunca se viu tanto tititi sobre a tal lista, todos torcendo pelos amigos e aplaudindo as bravatas e maracutaias de Brasília. Chega a ser nauseante ouvir na TV autores de obras frágeis, especializados em croniquetas escritas em estilo descolado frívolo shopping center, se posicionarem ideologicamente. Engajamento ultrapassado, anos 60, argghhhh... Na semana passada, a blogueira cubana foi alvo de intoleráveis atos de fanatismo. Sem comentário, tentaram silenciá-la, aos gritos! O nome disso é fascismo. 
      A se observar o andar da carruagem, as questões do último ENEM, as pressões veladas nas últimas premiações, o legado dos quadros envolvidos na elaboração da lista, é de se esperar tudo. Quando os critérios deixam de levar em conta o trabalho de qualidade produzido, outros passam a prevalecer, tais como: exposição na mídia, contrapartida política, engajamento social tendente ao panfleto, e por aí vai.

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