Total de visualizações de página

Pesquisar este blog

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Alcione Araújo (1945-2012)

      Morreu na madrugada da última quinta-feira, aos 67 anos, o dramaturgo, roteirista, diretor de teatro e romancista Alcione Araújo. Nascido em Januária, norte de Minas, desde 1978 residia no Rio de Janeiro, mas estava hospedado em hotel de Belo Horizonte com família quando sofreu um infarto.

                                                     (Foto de jornal, O Globo)
      O autor, um crítico e refinado intérprete dos costumes e situações humanas, além de peças de teatro, também escreveu crônicas e romances. Nos anos 70 surpreendeu os palcos do país com marcantes textos que foram encenados por importantes atores. Foi com a montagem inicial, em Belo Horizonte (1976), de Bentes altas, licença para dois, dirigida por Aderbal Freire e interpretada por José Meyer e Antônio Grassi que os dois atores, em início de carreira, partiram para o Rio de Janeiro.  Dirigida por Amir Haddad, Há vagas para moças de fino trato, foi interpretada por Glória Menezes, Yoná Magalhães e Renata Sorrah, em São Paulo. Sua peça de maior sucesso foi  Doce deleite, encenada por Marco Nanini e Marília Pêra, que esteve em cartaz durante dois anos (1981-1982), percorrendo diversas cidades brasileiras. A produção teatral completa do autor, em treze títulos, foi publicada em 1999, em 3 volumes, pela Civilização Brasileira. Na orelha do vol. 2, o diretor Aderbal Freire Filho define-o como um "artista brasileiro inspirado e profundo". Yan Michalski, em análise a Sob neblina use luz, destaca o seu engajamento político:

      "Os personagens de Alcione Araújo vivem afastados de qualquer tipo de questionamento acerca das estruturas sociais e políticas que condicionam suas pobres existências.Cada um deles funciona, um tanto lamurienta e covardemente, mas na verdade o melhor que pode, dentro da pequena perspectiva estanque delimitada pelas fronteiras do seu respectivo cotidiano. E, no entanto, as medíocres histórias que compõem esse cotidiano estão mergulhadas, como que sem querer, na História".

       Foi premiado no cinema com o roteiro de Nunca fomos tão felizes (1984), do diretor Murilo Salles  nos festivais de Gramado e Brasília. Assinou ainda os roteiros dos filmes Jorge, um brasileiro e Policarpo Quaresma, do diretor Paulo Thiago. O livro de crônicas Urgente é a vida (2004) foi agraciado com o prêmio Jabuti.  Publicou os romances Nem mesmo todo o oceano (1998), Pássaros de voo curto (2008) e Ventania (2012). Nos três observa-se o interesse por construções audaciosas, complexas e abrangentes, na tentativa de empreender um verdadeiro mergulho na história brasileira.  Em Pássaros de voo curto, os infortúnios e sonhos de Diva, uma cantora lírica que percorre o país, num veículo adaptado pelo motorista Zé Bolero, acompanhada pelo pianista americano Ralph Conway, para quem "a luz tropical fere como uma agulhada", são pano de fundo para o registro de inúmeras passagens da nossa história.


2 comentários:

  1. Hora triste, sempre, a hora da morte. Triste, então, a hora de meu retorno ao seu blogue. É sempre uma alegria, no entanto, ler você. Ainda tento vencer a preguiça para manter o ritmo diário no meu... abraço e bom final de sábado e domingo e semana e...;-)

    ResponderExcluir
  2. Valeu, José Luiz. Pessoas talentosas se vão. Vamos tocando, dentro do possível. Algum retorno sempre incentiva.

    ResponderExcluir