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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Gore Vidal (1925-2012)

      Com a morte de Gore Vidal, ocorrida na madrugada da última terça-feira, a América perde um de seus mais brilhantes, críticos e impiedosos escritores. Tendo surgido como intelectual em fins dos anos 40, deixou vasta e sólida bibliografia, nos mais variados gêneros (ensaio, ficção, roteiro de filmes, peças de teatro, memórias). De família influente, neto de senador, transitou em elevadas esferas do meio político e cultural americano e europeu. Cultivou amizades famosas, entre as quais, grandes nomes da política e da cultura, como os Kennedy, Eleanor Roosevelt, Truman Capote, Tennesse Williams, Edmund Wilson, Paul Newman, Christopher Isherwood, Jack Kerouac, Paul Bowles, Santayana, Norman Mailer, Leonard Bernstein, o duque e a duquesa de Windsor.  Pioneiro na abordagem da temática homossexual na moderna ficção, pela ousadia revelada, tornou-se alvo de forte perseguição por parte da imprensa de Nova York. Líder inconteste da comunidade gay, embora se recusasse a portar bandeiras, viveu durante 55 anos uma união homoafetiva com o publicitário Howard Austen, morto em 2003.


      Em suas memórias, ergue monumental painel das gerações dos anos 50 a 70, numa visão panorâmica que aborda as mudanças de comportamento, a liberação sexual e os desdobramentos da Guerra Fria. Crítico impiedoso da política americana, fustiga a excessiva militarização e a expansão globalizada do imperialismo ianque, opondo-se frontalmente à guerra do Vietnã e à invasão do Iraque. Não se intimida em relevar os bastidores do jet set, os escândalos e idiossincrasias de uma infindável lista de notáveis. Mais do que um criador de frases de efeito, Gore Vidal produziu um admirável monumento à literatura, numa produção diversificada, em que se destacam a simplicidade, a elegância, o humor refinado, a  ironia certeira e a irreverência. Dentre seus livros, cabe citar A cidade e o pilar, Juliano, Messias, Myron, Lincoln, Império, Hollywood e Washington, Palimpsesto.

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