Visitou Minas Gerais em 1952, tendo proferido uma conferência na Faculdade de Letras (então Neolatinas), da Universidade de Minas Gerais, sediada no edifício Acaiaca, no centro de Belo Horizonte. O escritor Heitor Martins, na época estudante calouro, esteve presente nesse evento. Não era ainda conhecido o romancista, depois consagrado: Vitorino Nemésio foi apresentado como historiador literário, autor de A mocidade de Herculano, o único livro seu disponível na Biblioteca. Assim como, mais recentemente, o poeta António Franco Alexandre evoca, no livro Visitação, lugares do Brasil, após uma temporada no país, Nemésio também se encanta com as cidades históricas mineiras. Escreve poemas e crônicas sobre Belo Horizonte, as cidades históricas (Ouro Preto, Sabará, Mariana), posteriormente descobre o Rio de Janeiro e a Bahia. A presença do Brasil é significativa em sua obra. Minas é vista por ele como um pedaço de Portugal no Brasil.
"...parece-nos que trepamos de um Rio magnífico, mas estrangulado em morros e brumas tropicais, a uma coisa de sonho, um acampamento etéreo de pastores de zebus fugidos, onde faíscam vidraças de palácios irreais. (...)" O nome primitivo do local chamava-se precisamente Curral del Rey.
"Os sinos de Ouro Preto soam-me como timbre de menino, do outro lado da vida. (...) Estou em Minas Gerais, e é como se estivesse num Portugal caldeado de vilas do Norte e do Sul. A ponte, à Casa dos Contos, parece estender-se sobre o Tâmega e colocar-nos na vila de Amarante. A rua do Conde de Bobadela, que trepa ao Largo do Paço (Tiradentes), parece de Montemor-o-Novo, quando se vai para Évora. Não fora este ar de Calvário abolido e sentia-me no Minho ou no Alentejo".
"Sabará é tão nobre como a Viseu dos corregedores".
"Mariana parece-me uma espécie de nossa Lousã, a cavalo entre a serra e a baixada".
Da vasta produção de Vitorino Nemésio, destacam-se: os romances Varanda de Pilatos (1926), a obra-prima Mau tempo no canal (1944); os livros de poemas Eu comovido a oeste, Poemas brasileiros e O bicho harmonioso; os livros de ensaio Corsário das ilhas e O segredo de Ouro Preto (1954).
.jpg)

Nenhum comentário:
Postar um comentário