Total de visualizações de página

Pesquisar este blog

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Minas, Cuba e corrupção

     
       A foto de Havana é de Pedro Serra.
     O noticiário político não é prioridade nossa. Intromete-se às vezes, por contingência do cotidiano, em forma de comentário. A recente viagem da presidente Dilma a Cuba, com o aporte de mais de 600 milhões para as obras do porto de Mariel, gerou opiniões abonadoras e contrárias. Todas devem circular, por conta da democracia. Não é pequena a indignação de parte dos brasileiros, acrescida quando ficam evidentes os sinais de carência e penúria dos serviços de saúde e segurança oferecidos no solo da pátria "mãe gentil". (O risco de usar esta expressão é a rima, interposta, que a acompanha, a tiracolo). Na última semana, morreu um recém-nascido em Itabirito, cidade próxima à capital mineira, por falta de leitos em UTI. Seria ocioso enumerar outros casos.
      Mais uma vez vigorou o interesse ideológico em ajudar um regime totalitário que se arrasta por 53 anos, no caso uma ditadura que substituiu outra através de uma revolução sanguinária, divulgada à época por um viés charmoso e romântico, mas que não resistiu ao imobilismo e incompetência. Naufragou à deriva, após o colapso da Rússia, perdeu o rumo da História. O mundo não esquece os milhares de perseguidos e mortos, em especial os intelectuais e gays cubanos, entre 1959 e 1970. O Itamarati, de notável atuação no passado e respeitado por posicionamentos calcados em autonomia e solidariedade, mostra-se combalido, ao se prestar ao intento de cimentar mais uma liderança de alcance internacional. Faltam aqui hospitais decentes, a segurança pública é uma fraude, os ministérios são inócuas organizações de apoio fisiológico ao governo, a despeito de generalizada corrupção e o sentido de federação ter sido extirpado por interesses escusos. Na última semana caiu o sétimo ministro por denúncia de atos ilícitos, ainda há casos a serem apurados. Mais uma vez o imposto pago pelo brasileiro tem uma destinação política, para embrulhar uma patuscada ridícula de firulas diplomáticas. Seria o modelo Tiririca se alastrando?  Já vimos à saturação esse filme.
     E Minas, o que tem a ver com isso? A discriminação a projetos de desenvolvimento e proteção contra enchentes em Minas é a contrapartida do governo aos milhões de votos que decidiram a eleição da presidente que afirma ter nascido em solo mineiro... As verbas para estradas em Alagoas ultrapassam em muito as destinadas a Minas, território mais extenso e habitado. Tudo isso acontece à luz do dia, às barbas de uma oposição desfibrada, quase complacente. Não se ignoram as conquistas no plano social e econômico, elas devem prosseguir. Que muitos perderam o sentido da probidade com a coisa pública, não há dúvida e haja verniz para lustrar a carraspana.

Nenhum comentário:

Postar um comentário