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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Encontro com escritores: Wander Piroli


     Conheci Wander Piroli (1931-2006) na redação do Suplemento Literário de Minas Gerais, quando editou o periódico, em 1974. Demitiu-se ao cabo de seis meses, por discordar da censura. Era alto, grandalhão, dado a galhofas e, supunha-se, um tanto explosivo, como alguns descendentes de italianos. Apesar do porte físico avantajado, era um homem afável, descontraído, generoso. O último adjetivo é capaz de justificar o que me disse um fim de tarde, numa das visitas que ali fazia para deixar matéria: "Você não pode parar de escrever". As pessoas ficavam à vontade em sua presença, irradiava um astral positivo.



     Lembro dele agora que me chega às mãos o Suplemento literário de MG de novembro de 2011, um número especial em sua homenagem, impresso sob o título de "O áspero lirismo de Wander Piroli". Um dos mais importantes contistas mineiros, publicou em torno de uns oito livros, com destaque para A mãe e o filho da mãe (1966), o clássico infanto-juvenil O menino e o pinto do menino (1975), que deve estar em 30ª edição ou mais, Os rios morrem de sede (1976) e A máquina de fazer amor (1980), que traz no posfácio um ensaio de Antonio Hohlfeldt. Fábio Lucas é outro crítico que se interessou de forma eufórica pela sua produção ficcional. No Suplemento em sua homenagem, jornalistas (esta era sua profissão) e escritores rememoram fatos pitorescos de sua personalidade (o gosto por pescaria e uma boa cachaça) e de sua carreira como escritor. 

     Como uma coisa puxa outra, tomo outro rumo, sem abandonar o autor. Publiquei no mesmo Suplemento em 1975 uma de minhas resenhas mais desastradas: trata-se de "Wander e Clarice", cravada de deslocamentos e deselegância, comentários apressados sobre O menino e o pinto do menino e Visão do esplendor. Como aproximar autores tão diferentes? Na verdade, o artigo não os aproxima, mas o título o faz. Se o artigo focasse um livro infantil de Clarice, menos mal. Onde se viu citar primeiro um homem, depois uma mulher, ainda mais tratando-se de Clarice Lispector? Na minha ingênua falta de experiência, considerava  que se comentava primeiro e de forma panorâmica o livro do Wander, ele devia vir em primeiro lugar. Teriam sido esses  disparates o que  despertou a atenção de Clarice Lispector? Dois ou três meses após, recebo da autora de O lustre uma carta,  em que apresenta um dos raríssimos posicionamentos sobre seu processo criativo. Esta carta está postada aqui, consulte a lista de assuntos (Clarice Lispector) .

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