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terça-feira, 12 de julho de 2011

Os primeiros (e segundos) passos em marxismo








Quando algum aluno solicita um livro onde possa empreender uma iniciação ao pensamento marxista, não titubeio. Mais do que um esboço de formação marxista, um verdadeiro curso de pós-graduação em materialismo histórico: o volume 36, Col. Grandes cientistas sociais, Marx, Engels, História, da ed. Ática. Longe de mim arvorar-me em militante marxista, ou o que fosse. Tive formação convencional, humanidades em seminário, certa tendência à síntese conciliadora, sobre os grandes temas universais, no geral conservadora. Não me incomoda assinalar. Depois, por conta própria, fiz vigorosas incursões no estudo de filosofia e política e fui amealhando alguma informação mínima sobre enquadramento ideológico, posicionamento político, ciência política, evolução do pensamento, História (assim, com inicial maiúscula). Um bocado de leituras, uma franca disponibilidade ao desafio e à evolução do pensamento.


Agrada verificar que temos no Brasil um elenco de intelectuais de alto gabarito, para todas as tendências. No que diz respeito ao marxismo, nem se fala. Evito citá-los, para não incorrer no risco de algum provável esquecimento. Digno de nota, um traço produtivo: a conexão estreita entre o pensamento de vertente marxista e denso lastro literário. Astrogildo Pereira, um dos primeiros biógrafos de Machado de Assis e fundador do Partido comunista, é um caso exemplar a esse aspecto. Alguns glosadores da parceria Marx/Engels, inflamados em seu ímpeto libertário, mostram-se às vezes mais marxistas que os próprios. "Ser radical é ir à raiz das coisas. Ora, a raiz do homem é o homem", este é um dos postulados de  efeito do materialismo dialético.  Apesar de Marx ter afirmado que, antes de O capital, só escrevera bagatelas, não é verdade. Assinou consistentes ensaios de sociologia, história e filosofia.


Como introdução ao pensamento marxista, muita coisa poderia ser aventada, inclusive uma coleção de larga difusão popular, distribuída em bancas de jornais e revistas, da editora Abril, responsável pela publicação em 3 volumes de O capital, de Marx, (col. Os economistas) com apresentação de Jacob Gorender. Os anos 80 do século passado foram férteis em divulgação do ideário marxista no país. Mas nada supera o volume acima mencionado, uma cuidada antologia de textos fundamentais, produção editorial de primeiríssimo mundo, com uma equipe exclusiva de tradutores e uma excelente introdução de Florestan Fernandes, de quase 150 páginas. Uma ou outra falha de revisão passa despercebida, diante do investimento cultural observado. Traz índice analítico e onomástico.


Marx, Engels: História. Org. Florestan Fernandes. São Paulo: Ática, 1983. Col. Grandes cientistas sociais. 495 p.




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