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domingo, 24 de outubro de 2010

Conversa na estrada



Os dois amigos viajavam na 381, entre Itabira e Belo Horizonte, uma rodovia traiçoeira, cheia de curvas e riscos. Muitas carretas, trânsito pesado. Um perguntou ao outro o que mais o deixava irritado, como cidadão brasileiro.

“Muita coisa”, o outro disse.

“Não vale, tem que ser seletivo. Escolher o que mais aborrece".

“O excesso de impostos”. E expôs suas queixas.

A grande insatisfação do brasileiro diz respeito à exorbitante carga tributária cobrada pelo Estado. Os produtos carregam altíssimo percentual de tributação. Há casos de impostos que respondem por mais da metade do preço final dos produtos, e não são poucos. Há produtos pelos quais pagamos mais 60% de impostos. Isso é inaceitável. O estado brasileiro tem uma grande voracidade em cobrar tributos. O cidadão é penalizado a todo instante no dia a dia. Além disso, precisa pagar imposto de renda sobre o salário, em abril todos padecemos a voracidade do Leão.

“Você viu os protestos recentes na França?”

“Por muito menos, aumento de dois anos na aposentadoria”.

“É, somos espoliados e nada fazemos”.

“Quem ganha mais de três mil, na faixa salarial entre três e cinco mil, precisa trabalhar 13 dias por mês para pagar impostos”.

“Que dizem os candidatos?”

“Nada concreto, tudo muito vago”.

“O governo que responde até o fim do ano também nada fez.”

“Você se refere à reforma tributária?”

“Disseram que não deu tempo”. Os dois começaram a rir.

“Mas tempo para outras coisas sobrou: propinas, corrupção, politicagem.” Perigo na pista, motorista ultrapassa em local proibido.

“Cuidado, essa estrada é perigosa. Por ela passam 75% da riqueza do estado de Minas, mas não sobrou tempo para a duplicação”.

“Por aí você vê.”

“Quer saber de uma coisa? Liga o rádio, tem jogo do Brasileiro agora”.


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