Imagem mais despojada, impossível. Sentado no banco, ao lado de Drummond, quebram ondas do mar em Copacabana. Corpo úmido, cabelos (poucos) escorrendo água, após mergulho recente, sandálias havaianas, bermuda folgada.
Entre o ser e as coisas
Onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e à rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva.
Às almas, não, as almas vão pairando,
e, esquecendo a lição que já se esquiva,
tornam amor humor, e vago e brando
o que é de natureza corrosiva.
N´água e na pedra amor deixa gravados
seus hieróglifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.
E nem os elementos encantados
sabem do amor que os punge e que é, pungindo,
uma fogueira a arder no dia findo.
Carlos Drummond de Andrade (Claro enigma, 1951)
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