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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Quem diria? Ao lado do poeta maior


      Imagem mais despojada, impossível. Sentado no banco, ao lado de Drummond, quebram ondas do mar em Copacabana. Corpo úmido, cabelos (poucos) escorrendo água, após mergulho recente, sandálias havaianas, bermuda folgada.

Entre o ser e as coisas


Onda e amor, onde amor, ando indagando

ao largo vento e à rocha imperativa,

e a tudo me arremesso, nesse quando

amanhece frescor de coisa viva.


Às almas, não, as almas vão pairando,

e, esquecendo a lição que já se esquiva,

tornam amor humor, e vago e brando

o que é de natureza corrosiva.


N´água e na pedra amor deixa gravados

seus hieróglifos e mensagens, suas

verdades mais secretas e mais nuas.


E nem os elementos encantados

sabem do amor que os punge e que é, pungindo,

uma fogueira a arder no dia findo.


Carlos Drummond de Andrade (Claro enigma, 1951)

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