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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Encontro com Caetano



Em 1977, por aí, estive com Caetano Veloso, por ocasião do lançamento de um livro dele, Alegria, alegria. Era um cantor famoso, mas nem tanto. Mas já era uma estrela. Sempre foi e será estrela. Foi numa livraria no Maleta, no centro de Belo Horizonte. Eu era um ex-seminarista tímido, é verdade que saíra do seminário no tempo em que os bichos falavam, isto é, dez anos antes. Mas ex-seminarista só perde o jeito quando desbunda de vez ou deixa o bigode crescer. Desbundar de vez na época era deixar o cabelo crescer. Já passara da fase de cultivar o bigode. Começava a deixar o cabelo crescer. Então a timidez misturava-se a uma certa rebeldia. Tenho umas fotos desse tempo, teria uns vinte e oito anos, pareço vagamente com Montgomery Clift, de A um passo da eternidade. Esta é uma evocação generosa, pode ser? Mas voltemos ao encontro. Foi um encontro rápido, mas vibrante. Lembro de um diálogo mínimo. Eu estava diante de meu ídolo.
“Também publiquei um livro recentemente”, eu falei. Referia-me ao Violeta trindade, lançado em 1976.
“Você vai me trazer um exemplar do seu livro”, ele disse. O modo como disse era uma ordem. O cabelo comprido, os olhos grandes, rasgados, a boca sensual. Peguei meu livro autografado, fui a outra livraria ali no edifício Maleta, onde vira exposto meu livro, comprei um exemplar, voltei para a fila. Dei-lhe meu livro. Ele pediu para autografar. Deu-me um convite para o seu show. Ia acontecer no palco da antiga Secretaria da Saúde.
“Apareça no camarim. Após o show. Depois a gente pode ir pra alguma quebrada, por aí.” Agradeci o convite e me mandei.
Fui ao show. Mas não o procurei no camarim. Era besta, tímido demais. Corria um boato de que Caetano beijava os amigos. Na boca. Perdi a chance de ir com Caetano para uma quebrada.

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