Um
homem, — era aquela noite amiga,
Noite
cristã, berço do Nazareno, —
Ao
relembrar os dias de pequeno,
E
a viva dança, e a lépida cantiga,
Quis
transportar ao verso doce e ameno
As
sensações da sua idade antiga,
Naquela
mesma velha noite amiga,
Noite
cristã, berço do Nazareno.
Escolheu
o soneto . . . A folha branca
Pede-lhe
a inspiração; mas, frouxa e manca,
A
pena não acode ao gesto seu.
E,
em vão lutando contra o metro adverso,
Só
lhe saiu este pequeno verso:
“Mudaria
o Natal ou mudei eu?"
Machado de Assis (Ocidentais, 1901)
José Maria Machado de Assis nasceu no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, em 1839. O pai era de cor escura, pintor de paredes, a mãe, uma açoriana da ilha de São Miguel. Ingressou, adolescente, como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, depois tornou-se revisor na livraria Paula Brito, redator do Diário do Rio de Janeiro. Aos trinta anos, casa-se com Carolina Augusta de Novais, moça portuguesa de família de intelectuais. Esta não lhe deu filhos, tendo falecido em 1904. Com o suporte financeiro auferido como funcionário público, a partir de 1874, na Secretaria de Agricultura, consegue dedicar-se à carreira de escritor. De 1860 a 1870, produz os contos de Histórias da Meia-Noite e os romances Ressurreição, Helena, Iaiá Garcia, obras ficcionais consideradas da “fase romântica”. A partir do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) e com alguns poemas depois coligidos em Ocidentais, o escritor atinge a plena maturidade do seu realismo de sondagem moral, confirmado pelas obras seguintes: Histórias sem data (1884), Quincas Borba (1892), Várias Histórias (1896), Dom Casmurro (1900), Esaú e Jacó (1904), Relíquias da Casa Velha (1906). O último romance, Memorial de Aires (1908), foi escrito após a morte da esposa. Faleceu, vitimado por uma úlcera cancerosa, aos sessenta e nove anos de idade, em 1908. Com sua obra, atingiu a literatura brasileira dimensão universal, seja na amplitude técnica ou na abrangência temática.
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1970.
Com estas informações e o soneto de Machado de Assis, desejo a todos um Feliz Natal.

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