Este espaço inicia, hoje, a publicação de alguns poemas (em geral sonetos) que se tornaram conhecidos, marcando a produção de determinado autor. O autor do primeiro poema é um mineiro, nascido em Rio Pomba em 1897, Nilo Bruzzi. Poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, deixou livros em vários gêneros. Foi delegado de polícia no interior de Minas, advogado em São Paulo, professor de Literatura Brasileira em Vitória. Faleceu no Rio de Janeiro em 1978. Luar de Verona (1920) e Dona Lua são livros de versos. Fez também crítica literária e uma biografia de Casimiro de Abreu (1949), que gerou controvérsias.
Única
No turbilhão da vida quotidiana,
há sempre um rosto oculto de mulher…
Há no tumulto da existência humana,
alguém que a gente quis e que ainda quer...
E, numa sede de paixão insana,
Cego e humilhado, aceita outra qualquer.
Mas sem íntimo ardor, de alma profana,
porque a alma nem acordará sequer.
E vão passando assim, uma a uma,
mulheres e mulheres, como vieram,
sem despertar saudade alguma…
Triste de quem como eu vê que, infeliz,
teve todas aquelas que o quiseram,
mas nunca teve Aquela que ele quis!...

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