Faleceu, ontem, dia 19, em hospital de Turim, o filósofo italiano Gianni Vattimo. Atuou no desenvolvimento do pensamento político, no Parlamento europeu, na defesa de direitos de minorias (gays e grupos raciais, como os palestinos), sem descuidar de consolidar uma carreira filosófica consistente. Tornou-se mundialmente conhecido, como articulador do conceito de “pensamento fraco”, sistema construído como forma de contestar a metafísica tradicional. Influenciado profundamente por Nietzsche, Heidegger e Gadamer, centralizou suas atenções em torno do que se poderia chamar o crepúsculo do humanismo, a emergência da pós-modernidade, atraído pelos efeitos de superação da racionalidade e de diluição da metafísica. Discute o contexto do pós-moderno, os aspectos desumanizantes das novas condições de existência, a descrença diante de verdades universais e totalizantes, sem ruptura com as convicções cristãs. Deixa um expressivo legado de obras filosóficas, com destaque para O fim da modernidade (1985) e As aventuras da diferença (1980), no qual se inclui o fundamental ensaio "A vontade de poder como arte", com as fulgurantes reflexões em torno da arte moderna como o lugar onde continua a sobreviver um resíduo dionisíaco, uma forma da liberdade do espírito .

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