Os escafandristas
Os escafandristas violaram o corpo gelado e oscilante das ondas.
E viram o cortejo das maravilhas
que vivem no fundo do mar.
Viram os polvos ágeis e as gulosas rosas submersas,
e os lentos ouriços,
e as algas de muitas cores,
e os peixes de formas exóticas e de escamas resplandescentes.
Os escafandristas penetraram nos velhos navios,
que dormem no fundo do mar,
nos navios que naufragaram, pejados de vida e de tesouros.
E nos salões deslumbrantes dos velhos navios,
onde outrora floresceram ambições e amores,
só moravam agora as gorgônias e as estrelas do mar.
Os escafandristas puderam compreender
esses segredos profundos do fundo do mar.
Mas o clamor, o clamor ardente das vidas humanas,
das vidas que o mar tragou,
quando arrebatou para o seu seio esses tesouros,
quem o poderia ouvir de novo?
Múcio Leão, jornalista, crítico e escritor, nasceu em Recife, em 1898. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1969. Diplomou-se advogado pela tradicional Faculdade de Direito na cidade natal, em 1919. Fundou o jornal A Manhã, mantendo um caderno literário de destaque, Autores e livros (1941/1950).Pertenceu à Academia Brasileira de Letras. Livros publicados:
Poesia: Tesouro recôndito (1926); Os países inexistentes (1941).
Ensaio: Ensaios contemporâneos (1923); Emoção e harmonia (1952).
Romance: No fim do caminho (1930); Castigada (1934).
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