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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Jorge Luis Borges

 

       O culto ao escritor Jorge Luis Borges (1889-1986), o mais influente autor argentino do século XX,atingiu, na segunda metade do século passado, um impacto surpreendente. Houve uma época em que a atmosfera filosófica de sua produção sobrepôs-se ao aspecto literário estrito. Fundamentou uma vertente fantástica que parece ser o lado mais convincente e singular de seus contos. Editou antologias de poesia medieval (em colaboração com Maria Esther Vásquez) e fantástica, (em colaboração com Adolfo Bioy Casáres e Silvina Ocampo). Fundou revistas literárias (Proa, junto com Macedonio Fernández, em 1922; Anales, em 1946). A par dos livros de poesia, publicou também ensaios e narrativas. Sua incursão no terreno ficcional encarece um substrato erudito, com uma pitada esotérica, num contexto de franca exaustão dos processos realistas, o que favorece o status merecidamente conquistado. Estreou muito jovem - Fervor de Buenos Aires, edição de autor, em 1923, a que se seguiram dois volumes de poesia: Lua defronte, lançado na sequência de uma viagem por países europeus, em 1925; Caderno San Martín, em 1929. Publicou o cerne de sua obra ficcional nos anos 30 e 40 (Historia universal de la infamia, 1935, Historia de la eternidad, 1936, Ficciones, 1944, El Aleph, 1949). A visão vai se reduzindo, até extinguir-se totalmente. Mesmo cego, continua a escrever, ditando contos à mãe e a uma assistente. A primeira versão das Obras completas veio a lume entre 1952 e 1954, em três volumes. Em nova viagem pela Europa, profere conferências na Inglaterra, Escócia, França, Suíça e Espanha; ministra um curso de poesia em Harvard. Outros títulos são publicados, Elogio da sombra, de versos, em l969, O relatório de Brodie, de contos, 1970, Libro de sueños, ensaios, de 1976, Los conjurado, poesia, 1985. Não escreveu obra ficcional de fôlego, mas seus contos têm um brilho fulgurante. O auge de sua fortuna crítica explode nas décadas de 70 e 80, simultaneamente ao lançamento da maturidade e plenitude técnica, selada com O livro de Areia, de 1975, aclamado por acadêmicos e cultores da cosmogonia. Desprestigiado pelos governos peronistas, na Argentina, vê-se compelido a migrar para outros países. Uma ou outra tirada de efeito, o gosto esgarçado pelo fantástico, como fuga ao cotidiano, um aceno espiritual, as artimanhas da duplicidade, a elegância do estilo, uma atmosfera de estranhamento, assombrada, a sedução do labirinto constituem no geral sua marca indelével. E não é pouco. Perto da obra plural e diversificada de nomes como Eça de Queirós, Virginia Woolf, Marcel Proust, André Gide, Gabriel Garcia Marques, Ernest Hemingway, Lawrence Durrell, Machado de Assis, Lúcio Cardoso, Jose Régio, Jorge Amado, Guimarães Rosa, José Saramago, faróis imponentes, sua obra aparenta iluminar com o fervor de uma lanterna. Mas com veemência invejável.





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