Este espaço, dedicado à crítica literária, notadamente focando as literaturas brasileira e portuguesa, em vários momentos cogitou de se calar. Espécie de desalento diante de uma realidade cada vez mais adversa, contrária à guinada vital e positiva propalada pelos poetas, por maiores sejam as crateras e os lodos do fundo do poço, inóspitos os referenciais de fuga possíveis.
Engana-se
quem supõe que os engodos tivessem origem em áreas desvinculadas do
campo cultural, ledo engano. Nos arraiais da cultura, em que
sobressaem os ditos autores formadores de opinião, os mais dotados
encharcados de citações marxistas, observa-se um encaminhamento
compulsivo para arregimentar um suporte, em que se
destacam os autores de croniquetas elegantes em estilo shopping
center, em geral à cata de aplausos de comparsas ideológicos. Um
dos motivos de me posicionar, ainda, no contexto literário, advém
justamente do receio de ser cooptado por hostes especializadas em
hospedar os adicionados a causas adesistas. Nos governos petistas, podia-se falar em aparelhamento
político do substrato cultural, as agências se especializavam em
proteger os militantes do milieu,
os favorecidos eram nomes
comprometidos com o marketing do stablishment.
Nunca é demais recordar a
extensa rede de apoiadores, desde as questões do
Enem, listas de convidados para Feiras Internacionais, manipulação de indicadores, o favorecimento a figuras carimbadas nos variados certames, até ameaças e
exclusão dos lugares ditos relevantes, em troca de camuflados ou
explícitos apoios. Quem
precisou de suporte
institucional no exterior, em contextos relacionados a embaixadas e
aparelhos culturais, sabe o que estou dizendo. A
noção republicana de igualdade de direitos inexistia. As
coisas pouco mudaram. A
famigerada Secretaria de Cultura se, de um lado, favorecia as mamatas em
tetas públicas, nunca foi tão inexpressiva.

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