Diante
do risco de contágio pelo coronavírus, que tem infetado e ceifado
milhares de pessoas, temos procurado ficar em casa, o que não
significa interromper a produção literária, a leitura e a
pesquisa. Cada um em sua área específica, recolhemo-nos e vamos, na
medida do possível, em meio a notícias adversas sobre um ou outro
caso de conhecidos atingidos pelo vírus, torcendo pela melhora de
todos e procurando manter o contato virtual. No início da semana,
Márcio Almeida, amigo e poeta de Oliveira, enviou-me um e-mail,
tecendo comentários sobre o título deste espaço. Transcrevo parte
da matéria:
“…
ponho-me
a pesquisar e reler coisas importantes e inteligentes. Aí pego a
revista MUSA PARADISÍACA, editada pela Josely Vianna Baptista e pelo
arquiteto e artista gráfico-visual Francisco Faria. Eles fazem uma
boa entrevista com D.W. Foster em que este alude à "literatura
subalterna", afirmando que "toda produção cultural é
subalterna", designativo melhor do que "minoria", por
ser esta uma "palavra coloquial demais". Daí de ele não
admitir, como diz, uma "partição das águas" dos textos
acadêmicos e
dos
textos minoritários. E cita Lorca, por exemplo, e
acrescenta
não haver nada mais "guetizado" do que a literatura
oficial, a literatura do vestibular (tive a intenção de mostrar
isso em "Vesânia") - porque exclui a maioria dos cidadãos,
a literatura masculina/masculista, da cultura branca, da elite
educada, aquela que a maioria não tem e que o próprio sistema
socioeconômico impede que tenha, wendo essa a "literatura da
universidade!, do "gueto da Academia de Letras, do "gueto
da faculdade", da "livraria de prestígio." E completa
dizendo que hoje existe um "gueto gay", "um gueto
negro", um "gueto feminista". Você de alguma forma se
ateve às ideias de Foster?
O fato é que você foi inteligente demais em escolher o nome IDEIA
SUBALTERNA para o seu contato virtual. Bacana! Congratulações”.
Esses contatos trazem fôlego novo às páginas eletrônicas.
Agradeço o interesse do Márcio Almeida, sempre incentivando toda espécie
de intercâmbio. Confesso que, quando escolhi o nome do blog, estava
influenciado pela vertente dos estudos culturais, no âmbito das
ideias de Fanon e Stuar Hall, no sentido de dar visibilidade àqueles
que se sentiam excluídos do coro das vozes de prestígio e de
poder. As considerações de D. W. Foster, referidas pelo amigo,
acrescentam novos elementos, expandindo o leque de significados,
neste espaço livre de intervenções sobre o cotidiano e a
literatura.

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