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sábado, 4 de julho de 2020

À margem dos lugares institucionais



       Diante do risco de contágio pelo coronavírus, que tem infetado e ceifado milhares de pessoas, temos procurado ficar em casa, o que não significa interromper a produção literária, a leitura e a pesquisa. Cada um em sua área específica, recolhemo-nos e vamos, na medida do possível, em meio a notícias adversas sobre um ou outro caso de conhecidos atingidos pelo vírus, torcendo pela melhora de todos e procurando manter o contato virtual. No início da semana, Márcio Almeida, amigo e poeta de Oliveira, enviou-me um e-mail, tecendo comentários sobre o título deste espaço. Transcrevo parte da matéria:

“… ponho-me a pesquisar e reler coisas importantes e inteligentes. Aí pego a revista MUSA PARADISÍACA, editada pela Josely Vianna Baptista e pelo arquiteto e artista gráfico-visual Francisco Faria. Eles fazem uma boa entrevista com D.W. Foster em que este alude à "literatura subalterna", afirmando que "toda produção cultural é subalterna", designativo melhor do que "minoria", por ser esta uma "palavra coloquial demais". Daí de ele não admitir, como diz, uma "partição das águas" dos textos acadêmicos e dos textos minoritários. E cita Lorca, por exemplo, e acrescenta não haver nada mais "guetizado" do que a literatura oficial, a literatura do vestibular (tive a intenção de mostrar isso em "Vesânia") - porque exclui a maioria dos cidadãos, a literatura masculina/masculista, da cultura branca, da elite educada, aquela que a maioria não tem e que o próprio sistema socioeconômico impede que tenha, wendo essa a "literatura da universidade!, do "gueto da Academia de Letras, do "gueto da faculdade", da "livraria de prestígio." E completa dizendo que hoje existe um "gueto gay", "um gueto negro", um "gueto feminista". Você de alguma forma se ateve às ideias de Foster?
       O fato é que você foi inteligente demais em escolher o nome IDEIA SUBALTERNA para o seu contato virtual. Bacana! Congratulações”.

       Esses contatos trazem fôlego novo às páginas eletrônicas. Agradeço o interesse do Márcio Almeida, sempre incentivando toda espécie de intercâmbio. Confesso que, quando escolhi o nome do blog, estava influenciado pela vertente dos estudos culturais, no âmbito das ideias de Fanon e Stuar Hall, no sentido de dar visibilidade àqueles que se sentiam excluídos do coro das vozes de prestígio e de poder. As considerações de D. W. Foster, referidas pelo amigo, acrescentam novos elementos, expandindo o leque de significados, neste espaço livre de intervenções sobre o cotidiano e a literatura.





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