O ano de 2018 assinala o centenário da morte de Olavo Bilac
(1865-1918),
voz expressiva da poesia brasileira no final do Império e início da
República. Considerado o terceiro ângulo da
famosa trindade parnasiana, que incluía também os poetas Alberto de
Oliveira e Raimundo Correa, Bilac desfrutou de ruidosa popularidade
na época. No auge do parnasianismo, com a primeira edição de
Poesias, contendo
Panóplias,
Via-láctea e
Sarças de fogo,
em
1888, o autor aglutinou em torno de sua obra uma unanimidade crítica
eufórica e uma expectativa cosmopolita, inédita para os padrões
culturais da sociedade brasileira, egressa de um longo período de
subalternidade diante da cultura portuguesa, em decorrência do
legado colonial. Como seus pares, frequentava roda de boêmios,
desfrutava longas temporadas na Europa, alienado dos problemas do
país. Seu envolvimento na vida social do país reveste-se de um
aspecto um tanto bisonho, na defesa do serviço militar obrigatório
para jovens. Poucos intelectuais se envolveram na campanha
abolicionista, imersos em controvérsias de natureza literária. Alvo
de acirradas críticas no âmbito da implantação do modernismo,
passou por um longo e imerecido ostracismo, que só recentemente se
vai desfazendo. Autor de uma obra vasta, irregular e multifacetada,
que abarca desde poemas metalinguísticos a outros de exacerbada
matéria erótica, poemas de tonalidade reflexiva a outros de forte
impregnação épica, Olavo Bilac modelou um perfil artístico
intimamente conetado ao seu tempo, que persiste como legado histórico
de apreciável relevância. Dentre as composições voltadas para o
resgate de eventos e personalidades históricas, destacam-se “O
caçador de esmeraldas”
e
“Sagres”. (...)
(O texto acima constitui o primeiro parágrafo de artigo de minha autoria sobre o poema "Sagres", de Olavo Bilac, publicado na revista Colóquio - letras, 199).
A trindade parnasiana: Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac.


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