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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Pedro Rogério Moreira

Livro do mês:

      Filho de Vivaldi Moreira (1912-2001), forte referência das letras em Minas Gerais (dinâmico presidente da AML, memorialista renomado, em O Menino da mata e o seu cão piloto), Pedro Rogério terá herdado do pai o gosto da leitura e o amor aos livros. Desse quadro, ainda que por desdobramentos difusos, se poderá dizer que o fator genético não foi rompido. Também integrante da Academia Mineira de Letras, tem-se destacado como ficcionista (Bela noite para voar) e memorialista, com mais de uma dezena de títulos, dentre os quais, Hidrografia sentimental, Jornal amoroso, Amor a Roma, e o mais recente, Diário da falsa cruz de Caravaca.


      Miscelânea de assuntos, irregular, o último título recolhe crônicas jornalísticas, registros autobiográficos e casos pitorescos, ocorridos na região amazônica, sendo alguns marcados pela fatalidade de acidentes que ceifaram a vida de pilotos. Recordações de companheiros desaparecidos, fixação de perfis humanos, instantâneos da rotina da redação um grande jornal misturam-se a casos de rios, igarapés, curimatãs, flagrados nas “perambeiras de Taguatinga” ou ao longo do rio Madeira, coalhado de borboletas amarelas.

A Amazônia leva a fama histórica de ser valhacouto de aproveitadores. Volta e meia aparece um sabichão para nos passar a manta. A região ainda está envolta num quê de mistério que conspira contra nossa inteligência e facilita os que tiram dela mau proveito. A literatura e o cinema ajudam muito a mistificação, quando falam de elos partidos e de eldorados” (MOREIRA, 2018, 150).

      O tom coloquial e a linguagem viva, colorida, eivada de expressões regionais, transferem aos relatos um halo de aventura partilhada e de calor humano. Referências à agenda “Pombo”, ao cigarro “Mistura Fina”, ao pente “Flamengo de bordas curvas” entrecruzam-se à cerveja “Malzbier”, ao perfume “Lancaster” e ao avião "Catalina, conhecido como pata-choca" dos ares. Dentre as evocações, numa perspectiva literária, avulta o registro de uma temporada inesquecível, no barco Carvajal, cruzando rios da região amazônica, em companhia do escritor Mário Palmério. O autor dos “célebres romances Vila dos Confins e O chapadão do bugre” discorre sobre a “recente expedição que empreendera ao rio Javari, lá onde Judas perdeu as botas”. Diversão garantida, entremeada de notas marotas, picantes, de  informes verdadeiros de uma região que suscita a curiosidade de milhares de pessoas, em todos os quadrantes.

MOREIRA, Pedro Rogério. Diário da falsa cruz de Caravaca. Brasília: Thesaurus, 2018.

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