O autor português Miguel Torga (1907-1995), pseudônimo de Adolfo Correia da Rocha, produziu obras literárias na área da ficção, da poesia, do teatro e do memorialismo. Na juventude, passou uma temporada de cinco anos no Brasil, mais precisamente na região de Leopoldina, Minas Gerais, em fazenda de um tio, tendo frequentado o Ginásio Leopoldinense. Sobre a permanência de Torga em solo brasileiro, registre-se o trabalho exemplar de Pedro Rogério Couto Moreira, desenvolvido a partir da leitura de páginas do Diário, do autor português e de pesquisas de campo - Geografia sentimental de Miguel Torga em Minas (Brasília, Thesaurus, 2016).
(Foto: formatura no curso de medicina, espacomigueltorga.pt)
(Foto: formatura no curso de medicina, espacomigueltorga.pt)
"Coimbra, 25 de maio de 1949. O Marquês de Sade. Um calafrio que só as leituras proibidas dão. A gente volta cada página arrepiado, com a sensação de que está a meter a alma no Inferno. E é essa inquietação que todos os livros deviam provocar. (...) O homem necessita do pecado para viver, como de especiarias para comer. Julgo mesmo que o futuro se esforçará por contrariar cada vez mais a sonolência beócia das páginas cor-de-rosa.
Vila Nova, 3 de
Dezembro de 1935 — Morreu Fernando Pessoa. Mal acabei de ler a
notícia no jornal, fechei a porta do consultório e meti-me pelos
montes a cabo. Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do
nosso maior poeta de hoje, que Portugal viu passar num caixão para a
eternidade sem ao menos perguntar quem era".
Do Diário V.

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