Morreu ontem em Porto Alegre, aos
70 anos, João Gilberto Noll, um dos mais talentosos e representativos escritores
brasileiros contemporâneos, reconhecido e admirado por seus pares. Surgido nos anos 70, Noll despertou a atenção
com o notável livro de contos O cego e a
dançarina, em 1980. Com este livro faturou o primeiro Jabuti, que se
somaria depois a mais outros quatro. Seguiram-se quase duas dezenas de títulos,
entre os quais, A fúria do corpo, na minha opinião, uma verdadeira obra-prima, de 1981, Bandoleiros (1985), Rastros de verão, de 1986, Hotel
Atlântico (1989), Harmada (1993). Ao todo, treze romances, três coletâneas de
contos e dois infanto-juvenis. Por seus contos e romances marcantes, elaborados
com refinada espessura técnica, tratando em profundidade temas ousados e impactantes,
tornou-se referência fundamental para a literatura brasileiras das três últimas
décadas, grande influência para novos escritores. Muitos de seus relatos
ultrapassaram as páginas dos livros, através de adaptações cinematográficas. Além dos cinco Jabutis, conquistou ainda o
Prêmio Fundação Guggenheim (2002) e o Prêmio da Academia Brasileira de Letras
(2004).

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